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 Vitório Zago
  Professor e Jornalista

Prosa & Bola
 

Um Sansão ainda morno

O Santos e São Paulo realizaram um clássico movimentado, mas longe de ser um grande jogo técnico. A partida se caracterizou por ser um embate acirrado no meio campo com muita marcação e poucas chances reais de gol criadas por ambas as equipes.

O São Paulo começou melhor a partida, com mais posse de bola e criando muito mais chances de gol. O Tricolor de Muricy Ramalho definiu o jogo ainda na etapa inicial marcando dois gols. O segundo gol, de Dagoberto no final, que enfim marcou com a camisa do São Paulo, ocorreu num momento em que o Santos ensaiava maior pressão. Mas o fato é que o São Paulo poderia ter feito mais gols...

Na etapa final o Santos voltou mais ofensivo. Chegou a ter muito mais posse de bola, mas a realidade é que muito pouco criou. Foi um domínio estéril, sem criatividade e sem força real. O São Paulo, apesar de ficar menos com a bola e de ter abdicado do ataque, foi mais objetivo e mais perigoso nas poucas vezes que chegou ao campo santista.

Muricy Ramalho, que já começava a ouvir ecos de descontentamento com relação ao seu trabalho no Morumbi desde a derrota na Libertadores do ano passado, parece estar aos poucos definindo um padrão de jogo e fazendo o São Paulo, que possui um excelente elenco, jogar bem, ingressando de vez na disputa pelo título nacional.
Já o Santos é outra história. O fato é que sem Zé Roberto, que foi embora, além de Kléber e Maldonado, convocados para suas respectivas seleções para a disputa da Copa América, o Santos é um time bom, mas só comum. O grande mérito do Santos, que tem um elenco inferior ao do São Paulo, é ter como técnico Wanderley Luxemburgo, que como grande estrategista que é, pode, como já fez com o próprio Santos num passado recente, montar um time forte e competitivo, sem ter jogadores fantásticos, sem ser espetacular.

Ambos, São Paulo e Santos, devem melhorar e muito com o decorrer da competição. É uma questão de tempo. Tem bons elencos e técnicos. Diferente dos outros grandes. O Corinthians ainda é um mistério, pois apesar de ter um grande treinador, possui um time bom, mas muito jovem. Já o Palmeiras parece ser uma panela de pressão constante nos últimos anos. Paira no ar dúvidas quanto a um elenco que não é ruim, mas está muito longe de ser fantástico, quanto a um técnico que ainda parece não ter absorvido a grandeza do clube e quanto às intermináveis briguinhas e mal-estares provocadas pelo ego de alguns jogadores como Edmundo, que posou de maduro tempos atrás e que agora está “de mal” com a imprensa, a quem chama de “babacas”, vira a cara, cruza os braços e bate os pés, enquanto fechas os olhos... Ah, esse futebol...

Vitório Zago
vitozago@camisa12.com.br

(Vitório Zago escreve esta coluna aos Domingos)   

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