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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Picolé, um e-mail diferente

Semanalmente a coluna recebe dezenas de e-mails de toda natureza, um deles do ex-atacante Picolé, revelado pelo Noroeste de Bauru (SP), com passagem pelo Palmeiras de 1976 a 1979. A sequência do currículo ele mesmo conta na mensagem. O apelido de Picolé foi eternizado, mas na assinatura de documentos se identifica como o empresário de futebol José Manoel Ricardo, 54 anos de idade, radicado em Curitiba (PR). Ele fez comentários sobre o texto referente ao sexto ano da morte do lateral-direito Mauro Cabeção, transcrito textualmente abaixo.

“Ariovaldo, queria parabenizá-lo pela lembrança do meu grande amigo Mauro Cabeção. Estivemos juntos na seleção olímpica de 1976. Os laterais eram ele (Mauro) e Rosemiro. É muito bom quando alguém lembra dos ex-jogadores. Em um país sem memória, quando alguém faz esse tipo de reportagem, é de ser louvado. Grande trabalho. Só assim poderemos resgatar o passado de um clube. Veja que quando o clube não reverencia seu passado não tem presente. E se tem é deplorável.

Parabéns uma vez mais. Fiquei feliz, mesmo sendo uma homenagem póstuma. É muito legal ver histórias dos grandes ídolos. Infelizmente vivemos, como já dizia Teseu na mitologia grega, ‘rei morto, rei posto’, principalmente no futebol, onde aquele bonequinho com números nas costas é reverenciado, amado e querido enquanto joga. Passa de bestial a bestial (ditado espanhol) em apenas 90 minutos. Depois que pára começa o esquecimento, dependendo de pessoas humanas, como você, para resgatar o que de bom passou pelo nosso esporte bretão.

O que nos faz refletir é que com 32 anos de idade o atleta de futebol é velho. Com 35 é jurássico rsss. É a única profissão que aos 35, 36 anos se torna ‘ex’. Por isso se entende quando alguns não pensam no futuro. É tão rápido que, quando dão por si , já são ‘ex’.

Obrigado pela atenção. Sou José Manoel Ricardo (Picolé). Comecei no Noroeste de Bauru, depois Palmeiras, Grêmio Maringá, Puebla do México,Taubaté, Atlético Paranaense. Como ‘ex’, rssss , técnico no Sul
. Fique com Deus, e obrigado pelo carinho com os ‘ex’”.

No comentário, Picolé interpreta o pensamento da maioria dos ex-boleiros, como se a grandiosidade de uma história fosse apagada. Infelizmente isso é fruto da cultura brasileira. Por isso, neste modesto espaço, busca-se resgate de valores, sem se restringir a biografias. As histórias são apimentadas com descrição de fatos curiosos, hilariantes e trágicos.

Por que o apelido Picolé? Tudo porque o então Zezinho, já uniformizado com a camisa do infantil do Pirajuí - sua cidade natal - comprou um sorvete de cana e começou saboreá-lo com a bola em jogo.

 - Passa bola Picolé – gritou um companheiro.

 - Picolé é a mãe – retrucou o atacante. E porque esbravejou, de pirraça o time inteiro passou a chamá-lo de Picolé. Assim, braveza seria perda de tempo. Já não dava para remar contra a maré.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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