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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Dunga, quatro Mundiais

Pelo menos provisoriamente sai de cena o polêmico Dunga, com currículo de quatro Mundiais de futebol, os três primeiros como jogador. Inicialmente ele carregou o estigma do derrotismo em 1990, na Itália. Depois foi campeão em 1994 nos Estados Unidos, vice em 1998 na França, e a sua última página foi na Copa do Mundo da África do Sul, ainda viva na memória de todos.

Em 1990 Dunga sofreu perseguição implacável com a geração perdedora do técnico Sebastião Lazaroni. Coube ao técnico Carlos Alberto Parreira dar-lhe chance de reabilitação em 1994. Com o futebol brasileiro pautado em rigorosa precaução defensiva e Romário se encarregando de decidir no ataque, o time, através do volante, levantou o caneco.

Aí seus defensores alardearam que o tempo havia se encarregado de fazer justiça a um jogador raçudo e com espírito de liderança invejável, contrapondo posição do treinador Mário Sérgio Pontes de Paiva, na função de comentarista da TV Bandeirantes: “Com Dunga escalado, o Brasil entra em campo com dez jogadores”, radicalizava, interpretando o pensamento de milhares de brasileiros que identificavam o volante como um dos principais responsáveis pelo fracasso na Copa da Itália.

A partir de 1994 Dunga não só respirou aliviado como se considerou dono do time, a ponto de extrapolar na Copa de 1998. Durante áspera discussão com o atacante Bebeto, na goleada sobre Marrocos por 3 a 0, deu-lhe uma cabeçada, e deveria ter sido expulso de campo.

Outro momento eternizado na carreira do volante foi quando, jogando novamente pelo Inter (RS), o meia Ronaldinho Gaúcho, na época meia do Grêmio, aplicou-lhe um desmoralizante chapéu num grenal histórico. Ali começava a despedida de Dunga como jogador de futebol. Saía de cena um meio-campista tido como ‘cabeça-de-bagre’ para alguns e personificação da garra para outros.

Dunga teve ascensão rápida no futebol. Em meados da década de 80 começava a saborear títulos estaduais pelo Internacional gaúcho. Em 1984, participou da seleção olímpica de futebol que foi vice-campeã em Los Angeles, nos EUA. Depois, jogou no Corinthians, Pisa, Pescara e Fiorentina da Itália. Na Alemanha também foi chamado de ‘xerifão’ na passagem pelo Stuttgar. E, em 1995, atuou no futebol japonês.

Anos depois de pendurar as chuteiras, ainda provocava controvérsia. Para alguns, peitadas, ‘carrinhos’, pontapés, desarmes e liderança exercida sobre o grupo - dentro e fora de campo - foram vitais para a conquista do tetra. Outros críticos não recuaram um milímetro sobre a posição formada sobre ele: lento e incapaz de passar bem a bola.

Antes da eliminação do Brasil na África do Sul, o dia mais triste de Dunga no futebol havia sido em 20 de março de 2000, quando assinou rescisão de contrato com o Inter (RS) e doou o cheque de R$ 372.560,31 para uma instituição de caridade. Aflorava, ali, o espírito benevolente do jogador, que criou o Instituto Dunga para ajudar crianças e adolescentes carentes do Rio Grande do Sul.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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