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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Dirceu Lopes, um dos injustiçados

Dirceu Lopes, ex-meia do Cruzeiro (MG), ainda não digere a passagem de apenas 19 jogos pela Seleção Brasileira e um amargo corte entre os jogadores relacionados à Copa do Mundo do México, em 1970. Na ocasião, teve de ceder o lugar para Dadá Maravilha, uma convocação política imposta pelo então presidente da República Emílio Médici, que o técnico Zagallo teve de engolir, diferente de seu antecessor João Saldanha, que havia projetado um lugar de destaque para Dirceu naquele Mundial.

Quando Dirceu estava no auge da forma, na década de 70, recebeu a visita do fenômeno Mané Garrincha – já falecido -, na concentração do Cruzeiro, em hotel de São Paulo, e ficou com o ego bem massageado. "Olha, Dirceu, vim te dar um abraço porque você é o melhor jogador de futebol do mundo".

Claro que Mané Garrincha exagerou, mas aquelas pernas curtas de Dirceu Lopes, 1,63m, nascido em 3 de setembro de 1946, entortaram adversários. Foram 224 gols registrados em 14 anos de Toca da Raposa, marca que o coloca como segundo maior artilheiro na história do clube, atrás apenas de Tostão, que marcou 248 gols.

Dirceu tinha a frieza dos goleadores e visão de jogo dos antigos boleiros de armação. Fez parte daquele lendário time do Cruzeiro que desbancou o grande Santos em novembro de 1966, com a conquista da Taça Brasil, hoje Taça do Brasil.

Naquela época, o Cruzeiro goleou o Santos por 6 a 2, no Mineirão, na primeira partida, e Dirceu fez três gols. No segundo confronto, no Pacaembu, outra vitória do time mineiro: 3 a 2, para delírio de Raul Plassmann, Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira, os titulares.

Dez anos depois, Dirceu viveu outro momento de glória na carreira com a conquista da Copa Libertadores da América sobre o River Plate, da Argentina, após a vitória do Cruzeiro por 3 a 2, em Santiago, no Chile, na "negra" - terceira partida da final.

O gol da consagração foi marcado pelo ponteiro-esquerdo Joãozinho, um renomado driblador, que se antecipou a Nelinho - cobrador oficial de faltas da equipe - e bateu com perfeição, quase no final do jogo. Nem por isso Joãozinho recebeu só cumprimentos. O exigente treinador Zezé Moreira – já falecido - o classificou de "moleque irresponsável".

Claro que se viesse o título no mundial interclubes, contra os alemães do
Bayern de Munich, a festa seria completa, mas Joãozinho, Jairzinho, Dirceu e cia. não se abateram com a perda.

A partir daí, Dirceu começou a trilhar a velha estrada da volta. Foi reserva de Rivelino no Fluminense, jogou no Uberlândia (MG) e encerrou a carreira no Democrata de Governador Valadares (MG) em 1981.

Aí, tímido e sem liderança para coordenar grupos de jogadores, trocou a bola pela vida de empresário, como dono de uma fábrica de jeans em Pedro Leopoldo, sua cidade natal.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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