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Parreira: ‘o gol é apenas um detalhe’

Outros tempos era raro um profissional prosperar na carreira de treinador sem currículo de jogador. Havia um velado preconceito da categoria, e poucos cartolas se aventuravam a desafiar a lógica.

Outros tempos dizia-se que Carlos Alberto Parreira, 67 anos de idade, um graduado homem do Exército brasileiro, era um intruso no comando de clubes, a despeito do histórico de tricampeão mundial no México na Copa do Mundo de 1970, como auxiliar de Cláudio Coutinho - já falecido -, na preparação física. Principalmente a imprensa paulista cobrava dele qualificação para o exercício da função, desconsiderando a invejável bagagem teórica. Parreira, contudo, foi obstinado e não se curvou ao desafio. De certo, o que não esperava era que ‘caísse no colo’ o comando da Seleção Brasileira tão prematuramente, em 1983. Aí, com o vice-campeonato de sua equipe na Copa América realizada no Brasil, recebeu uma ‘enxurrada’ de críticas.

Com a fortaleza de poucos soube absorvê-las e recomeçou a trajetória de treinador no Fluminense, em 1984. Quis o destino que assumisse um time bem montado pelo antecessor José Luiz Carbone, e o resultado foi a conquista do título do Campeonato Brasileira daquela temporada.

Talvez fosse o momento para que seus detratores dessem uma trégua, mas eles não se renderam. Assim, em 1991, inteligentemente, Parreira bolou uma estratégia para calá-los. Com ajuda do homem forte do Bragantino, o patrono Nabi Abi Chedid - já falecido -, assumiu o comando técnico daquele clube com missão de dar continuidade ao elogiado trabalho de seu antecessor Vanderlei Luxemburgo. E deu.

De fato Parreira pensava longe naquela empreitada. Pavimentava uma trajetória triunfal na carreira, que culminaria com retorno à Seleção Brasileira.  E com a sua indisfarçável filosofia de “futebol de resultados” conquistou o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, em 1994, quebrando um jejum de 24 anos sem conquista.

Parreira habilmente soube o momento de sair e deixar escancaradas as portas da CBF para retorno à Seleção, o que ocorreu em 2006. Antes disso, em 1998, uma dolorosa dispensa da Seleção da Arábia Saudita após a segunda rodada da primeira fase. Saiu amargurado, porém com cuidado para não ferir suscetibilidade após a derrota para a Dinamarca por 1 a 0. O técnico da equipe no jogo seguinte, contra a África do Sul, foi Mohamed Al-Kharashi.

Nesta Copa da África do Sul é o comandante dos anfitriões, após trégua durante pouco mais de um ano, quando o técnico Joel Santana assumiu o seu lugar. Parreira já dirigiu as seleções de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuait. A rigor, no ranking de treinadores com maior repasse de seleções de diferentes países em Copa do Mundo, só perde para o sérvio Borá Milutinovic. Em 1986 ele levou o México às quartas-de-final, perdendo para a Alemanha na disputa de pênaltis. Dirigiu, ainda, Costa Rica, Estados Unidos, Nigéria e China.

Parreira também ficou marcado por uma inoportuna frase: “O gol é apenas um detalhe”.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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