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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Zinho ‘Enceradeira’, um vencedor

Imagine uma conversa em família sobre histórias de Copa do Mundo de futebol e projete um pai detalhando as funções desempenhadas pelo meia Zinho ‘Enceradeira’, antigamente chamada de quarto homem de meio-de-campo, ocupando basicamente a faixa no lado esquerdo. O ‘velho’ dirá que Zinho participou da conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994, exaltará seu bom passe, habilidade para prender a bola, lembrará dos golzinhos que fazia de vez em quando e da ajuda aos companheiros do setor, na marcação.

Aí o filho, com idade em torno de 10 anos, que naquela Copa sequer se acomodava à frente do televisor para ver futebol, pode questionar: o que é enceradeira? Calma. Não massacre o jovenzinho. Enceradeira é um aparelho em desuso. De certo é comercializada em pequena escala. Jamais se vê anúncios comerciais de lojas de eletro-doméstico propagando-a. Assim, a criança não é obrigada a reconhecê-la.

O piso dos compartimentos de uma casa popular é revestido de cerâmica, inclusive dormitório e sala, outrora enfeitados com madeira no formato de tacos e assoalhos. Aí, para lustrar o piso do ambiente, a tal enceradeira era indispensável. E o estilo de Zinho lembrava aquele disco giratório na maioria das jogadas. Rodava ao redor da bola sem progressão, e assim fazia jus ao apelido, que a princípio o incomodava.

Afora esse indesmentível defeito, Zinho associava virtudes que o credenciaram a jogar em grandes clubes, a começar pelo Flamengo em 1986. Lá atuou ao lado de Zico, Andrade, Leandro e Bebeto. Depois passou por Palmeiras (duas vezes), Yokahama Flugels do Japão, Grêmio, Cruzeiro, novamente Flamengo, Nova Iguaçu e Miami dos Estados Unidos, clube que abriu-lhes as portas para iniciar a carreira de treinador de futebol.

Digamos que Zinho sempre esteve no lugar certo, no momento certo. Por isso tem um histórico de colecionador de títulos no Brasileirão: Flamengo em 1992, bi pelo Palmeiras em 1993/94, no Grêmio em 2001 e Cruzeiro em 2003. Naquele timaço do Palmeiras de 1993, fez companhia para Edmundo, Edílson e Evair. A recompensa do trabalho foi convocação à Seleção Brasileira à Copa dos EUA, e na condição de titular absoluto.

Com essa biografia de vencedor e 57 partidas na Seleção, era natural que Zinho amarrasse bons contratos por mais alguns anos, e foi o que fez. A rigor, durante passagem pelo Grêmio - entre 2000 e 2002 - sonhou em retornar à Seleção para disputar a Copa no Japão e Coréia do Sul, principalmente após o corte do volante Emerson, por contusão. O sonho não se concretizou e ainda teve de cobrar na Justiça dívida de R$ 7,4 milhões do clube gaúcho. A negociação previa recebimento de 30% do valor no ato, e o restante em suaves prestações.

Hoje, perto de completar 43 anos de idade, Crizam Cesar de Oliveira Filho, o Zinho, pode viver tranquilamente dos rendimentos provenientes dos bons contratos feitos ao longo da carreira de atleta.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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