www.peruzzo.med.br
Balaco Baco
Alto da Côrte
Fundo do Poço
Fora da Área
Vez do Torcedor
Campeonatos
Dra. Idê
Ilustre Convidado
Colunas
Dentro do Baú
Conte pra Gente
Quem Somos
Fim da Internet
 


 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Fevereiro, mês perigoso

Quando você ouve ou lê que Orlando Peçanha de Carvalho foi um eficiente quarto-zagueiro no primeiro título mundial conquistado pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, os comentários condizem com a realidade.

Convenhamos, também, que Orlando sequer merecia convocação ao selecionado para o Mundial de 1966, na Inglaterra. Pois foi relacionado e só participou da terceira partida, na derrota para Portugal por 3 a 1, ocasião em que o técnico Vicente Feola mudou radicalmente a defesa, escalando Manga, Fidélis, Brito, Orlando e Rildo. No jogo anterior, também uma derrota por 3 a 1 para a Hungria, a defesa foi composta por Gilmar, Djalma Santos, Belini, Altair e Paulo Henrique.

Neste 10 de fevereiro, um ataque cardíaco matou Orlando Peçanha de 74 anos de idade, que morava no Rio de Janeiro. A rigor, esse mês do calendário é tido como perigoso para atletas renomados com passagens pela Seleção Brasileira. Igualmente morreram durante o mês de fevereiro, vítimas de insuficiência cardíaca, o volante José Carlos Bauer e os meias Zizinho e Jorge Pinto Mendonça, respectivamente com 81, 80 e 51 anos de idade.

Bauer, apontado como o melhor volante de todos os tempos do São Paulo, foi sepultado em 2007, no dia 4. Zizinho morreu em 2002, numa sexta-feira de Carnaval, dia 8, abrutamente. Conversava com a filha Nádia, de madrugada, quando passou mal e não resistiu. Ele tinha um coração de anjo, mas era esquentado em campo. Aos zagueiros botinudos mandava um recado curto e grosso: "Bateu em mim, tem troco".

Vingativo, tanto podia dar resposta em dez minutos, uma semana, ou até um ano. Era paciencioso, e esperava o momento certo do ajuste de contas. Antes do reinado de Pelé, pode-se dizer que Zizinho era o bambambã do futebol. Arrancava aplausos pelos dribles curtos, chutes certeiros e passes impecáveis. Foi rotulado de melhor jogador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950, apesar da derrota por 2 a 1 para os uruguaios, na final, no Maracanã.

Mendonça, injustiçado duplamente, morreu em 2006, no dia 17. Foi relegado da Copa do Mundo de 1982 quando atravessava o melhor momento da carreira, e ainda ficou com a pecha de jogador indisciplinado, sem que fosse. A fama se arrastou por causa de rugas mal explicadas quando trabalhou com o técnico Telê Santana, no Palmeiras.

Quanto a Orlando, formou dupla de zaga com Belini, no Vasco, onde ficou cinco anos a partir de 1955. Lá conquistou o título do Estadual do Rio em 1956, e foi super campeão carioca em 1958. Foi um zagueiro clássico, de força física, aplicado na marcação e com boa capacidade de antecipação. Essas virtudes cativaram cartolas do Boca Junior, e assim jogou quatro anos no clube argentino, conquistando títulos em 1962 e 64. O preço da transferência ao exterior foi o impedimento de convocação à Seleção Brasileira ao Mundial de 1962, no Chile.

Em 1966, como atuava no Santos, foi lembrado novamente por Vicente Feola para defender o Brasil na Inglaterra, e não escapou de culpa pelo fracasso. No Peixe conquistou títulos paulistas em 1965 e 67 e da Taça Brasil de 1965. O encerramento da carreira deu-se no Vasco em 1970, aos 35 anos de idade.

Sete anos depois, tentou iniciar a carreira de treinador no CSA de Alagoas, e ainda passou pelo Vitória (BA) em 1980, sem que prosperasse na função. Na ocasião, defendeu interesses da categoria como presidente da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

Envie pra um amigo...

Leia mais...

Índice

Próximo Artigo:  22/02/10 - Washington, comparação equivocada
Este Artigo:  15/02/10 - Fevereiro, mês perigoso
Artigo Anterior:  08/02/10 - Batista já esteve lá

 
 
Copyright © 2001-2010 Camisa 12 - Todos os direitos reservados