2010 será diferente?
De certo o desportista está fatigado de
retrospectiva do futebol de 2009. Igualmente foi persuadido
incontáveis vezes a uma reflexão pessoal sobre erros e
acertos no ano que se finda. Então, contrariando linha
editorial da coluna, que tal um exercício de futurologia
para 2010? Ou melhor: será que podemos esperar grandes
surpresas e mudanças radicais em alguns segmentos
esportivos?
Seria 2010 o ano da aparição de um novo Pelé? Céticos
de plantão dizem que jamais nascerá outro igual. E
acrescentam: quem viu, viu; quem não viu, não verá mais.
Será? Convenhamos que passou da hora para o surgimento de
outro jogador completo nos fundamentos chute, drible,
cabeceio, passe e posicionamento. Pelé surgiu no futebol
há mais de 53 anos, e tem lógica projetar que alguém
ainda vai destroná-lo. Difícil é prever quando.
O novo
“rei” precisará mostrar chutes certeiros de curta e
longa distância - inclusive em cobranças de falta -, sem
distinção de perna direita e esquerda. Outro requisito é
tabelinha objetiva com companheiro de ataque nas
proximidades da área adversária. E se tiver estatura
mediana como Pelé - 1,71m de altura - terá de
necessariamente compensar com boa impulsão e colocação
para suplantar, de cabeça, zagueiros grandalhões. E mais:
o sucessor do rei terá de marcar mais de 1.200 gols.
Digamos que a expectativa maior dos esportistas é no
quesito segurança nos estádios. Policiais à paisana
infiltrados entre torcedores das “organizadas” é um
indicativo para se distinguir baderneiros e enquadrá-los em
legislação específica a ser criada para o futebol. Aí,
com especificações de artigos prevendo punições
drásticas, os transgressores já não ficariam impunes, ou
arcariam apenas com a pena branda de prestação de serviço
comunitário em dias de jogos.
Fique de olho em dinheiro público de prefeituras injetado
em clubes, principalmente de municípios vizinhos. Muitos
questionam a preferência da Petrobras para patrocinar
seguidamente o Flamengo. E a Eletrobrás não deixa por
menos: injeta milhões no Vasco.
Os anos se sucedem e dirigentes voltarão a ser acusados
de jogar dinheiro no ralo, com administrações
incompetentes. São gastos absurdos com jogadores de
qualidade duvidosa, elencos inchados, “gorduras” em
comissões técnicas e assessores incompetentes. Cadê a
fiscalização através de conselhos com as devidas
finalidades, nos clubes? Ela precisa ser intensificada e os
abusos reduzidos.
Preços de ingressos de jogos de futebol não podem ser
majorados conforme conveniência de cartolas. Lembram-se do
exemplo de dirigentes santistas que elevaram de R$ 20 para
R$ 80 o preço de uma arquibancada na semifinal do
Paulistão contra o Corinthians, no Estádio da Vila
Belmiro?
Oxalá em 2010 haja redução no número de treinadores
que protegem jogadores indisciplinados. Tomara que deixem de
insistir na escalação de jogadores em má fase técnica.
Chega de regalias! Chega de passar a mão na cabeça do
craque! E que os boleiros se conscientizem da necessidade de
maior concentração em campo, para que evitem erros de
passes curtos. Feliz 2010.
Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br
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