Tim, o driblador
Elba de Pádua Lima, o Tim, foi uma “lenda” no futebol brasileiro. Marcou época nas décadas de 30 e 40 como jogador cheio de ginga, balanço para os dois lados, “cortes secos” e preocupação constante aos adversários. Foi um dos maiores dribladores, fundamento que lhe provocava prazer. Apesar disso, também tinha boa visão de jogo e fazia seus golzinhos.
Como treinador foi um show. Quando comandou o Bangu descobriu Pelé em Bauru (SP), tentou levá-lo ao Rio, mas a família dele não deixou. Tim expunha a sua tática fazendo uso de jogos de botões. Assim, mostrava o devido posicionamento de seus jogadores, e a imprensa o considerava um dos maiores estrategistas do país. Enxergava as variantes de uma partida. Sabia colocar em prática os atalhos para que seu time chegasse ao gol adversário.
Nascido em fevereiro de 1916, em Ribeirão Preto - interior de São Paulo -, Tim começou a carreira como meia-esquerda do Botafogo (SP) em 1931 e, três anos depois, transferiu-se para a Portuguesa Santista. Em 1936 já estava na Seleção Brasileira e se consagrou no Sul-Americano de Buenos Aires, na Argentina, como "El Peón", apelido que ganhou da imprensa daquele país.
O melhor momento de Tim como atleta foi no tricampeonato carioca pelo Fluminense: 1936, 37 e 38. Naquele timaço jogavam Batatais; Moisés e Machado; Santamaria, Brant e Orosimbo; Orlandinho, Romeu, Russo, Tim e Hércules. Ainda em 1938 foi relacionado à Copa do Mundo na França, mas participou apenas do jogo contra os checos. O técnico Ademar Pimenta o deixou na reserva. Deu preferência à ala esquerda formada por Perácio e Patesko. Soma-se também o fato de Tim ser farrista na época. Segundo relatos, fugia da concentração pulando janelas do hotel.
Seis anos depois transferiu-se para o São Paulo, onde jogou apenas uma temporada. Com a cobiça de clubes do Rio de Janeiro por seu futebol, foi jogar no Botafogo e posteriormente no Olaria, onde conciliou as funções de atleta-treinador.
Em 1951 decidiu seguir apenas a carreira de treinador, no Bangu. No currículo, passagens pelas principais equipes do Rio de Janeiro: Fluminense, Flamengo, Vasco e Botafogo. No exterior, comandou o San Lorenzo da Argentina e seleção peruana na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Trabalhou ainda no Coritiba, São José (SP), Guarani, Ponte Preta e Internacional de Limeira (SP).
Na passagem pelo Coritiba, teve sabedoria para administrar freqüentes atrasos do polêmico atacante Zé Roberto. Questionado pela imprensa, respondeu ironicamente: “Zé Roberto, craque do meu time, atrasado? Vocês estão enganados. Esses outros apressadinhos que chegaram cedo demais para trabalhar”. Certa ocasião, durante treino-peneira, um rapaz lhe disse que não bebe, não fuma e nem farreia. Tim mirou no postulante à vaga e debochou: “Pois aqui vai aprender a fazer tudo isso”.
Além da bola, dizem que foi um excelente cozinheiro, que a sua dobradinha dava água na boca. Ele morreu no Rio em 7 de julho de 1984.
Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br
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