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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Pedro Rocha, sucesso e doença

Pedro Virgilio Rocha Franchetti foi o jogador uruguaio de maior sucesso no futebol brasileiro. Apesar da fama, não ganhou dinheiro suficiente para tratamento do AVC (Acidente Vascular Cerebral), que limitou seus movimentos e fala, e por isso conta com ajuda de amigos dos tempos de São Paulo e da receita da venda do livro lançado em novembro, “Tricolor Celeste”, escrito pelo jornalista Luís Augusto Simon, para cobrir o custo do tratamento, com ênfase para a fisioterapia. 

Uruguaios, chilenos e argentinos que por aqui aportam “arrastam um portunhol” mesmo depois de anos de convivência com a língua portuguesa. Pedro Rocha é um desses personagens que misturam, na fala, espanhol e português, apesar dos quase 40 anos de Brasil.

El Verdugo, que completou 67 anos de idade no dia 3 de dezembro, entrou para a história do futebol uruguaio como atleta que disputou quatro Copas ininterruptas, de 1962 a 1974. Pôde jogar em Montevidéu ao lado de atletas renomados como o goleiro Mazurkiewicz, Spencer e Cubilla. Também viveu o grande momento do Peñarol, na década de 60, ocasião em que o clube uruguaio conquistou sete campeonatos nacionais, três Libertadores da América e dois Mundiais de Clubes.

Apesar dessa recheada biografia, ele custou a se adaptar no futebol brasileiro, colocando em risco o investimento de US$ 150 mil (equivalente a Cr$ 870 mil - moeda brasileira na época) à vista, que o São Paulo pagou pelo passe. Também pudera: ocupar o lugar de Gerson, o Canhotinha de Ouro, era muita pretensão. Assim, o jeito foi entrar aos poucos no time, até se adaptar à meia-direita ou ponta-de-lança, como queiram.

Para quem chegou no São Paulo em agosto de 1970, é inquestionável que Pedro Rocha demorou a convencer os são-paulinos que repetiria o futebol dos tempos de Peñarol. A dúvida só foi desfeita após brilhante atuação contra o Palmeiras, em março de 1971. E o uruguaio sentiu-se mais à vontade quando Gerson retornou ao Rio de Janeiro. A partir daí, pôde reassumiu sua real posição.

No São Paulo foram sete anos de um futebol primoroso. Rocha tinha facilidade para conduzir a bola. O chute era forte e certeiro de média e longa distância. Constatava-se oportunismo no cabeceio e visão privilegiada de jogo. Raramente passava uma partida sem colocar companheiros na “cara” do gol.

Daquele São Paulo campeão paulista de 1975, Rocha teve participação destacadíssima. Eis o time base: Waldir Peres; Nelsinho Baptista, Paranhos, Samuel e Gilberto Sorriso; Chicão, Pedro Rocha e Terto; Muricy Ramalho, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Técnico: José Poy.

Depois, com a chegada do treinador Rubens Minelli, que privilegiava a força do conjunto, o espaço de Pedro Rocha ficou encurtado no Tricolor. Aí ele topou jogar por empréstimo no Coritiba em 1978. No ano seguinte, uma curta e apagada passagem pelo Palmeiras. Depois, jogou no México e na Arábia Saudita até 1980. Como treinador, seu histórico foi discretíssimo.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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