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 Ariovaldo Izac
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Flamengo, o preço da rebeldia

Flamengo hexacampeão brasileiro? Errado. O Flamengo é pentacampeão. E o título de 1987, não conta? Sim, não conta. Na época os cartolas do Mengão ignoraram o regulamento da competição e provocaram WO (não comparecimento) nos jogos contra Guarani e Sport de Recife, nos dias 24 e 27 de janeiro de 1988, no quadrangular previsto para decisão do título. Então, a CBF oficializou o Sport como campeão, após disputa contra o Guarani. 

Flamengo e Inter, que integraram o módulo verde, transgrediram o regulamento que previa cruzamento com clubes do módulo amarelo (Sport e Guarani). Portanto, legalmente o Flamengo foi campeão apenas da Copa União. Naquela temporada, os grandes clubes do futebol brasileiro manifestaram preocupação com o inchaço de equipes no Campeonato Brasileiro. Influências políticas partidárias pesavam nas admissões de mais agremiações no campeonato, e isso o inviabilizava financeiramente. Assim, os cartolas dos “grandes” optaram pelo grito de independência e criaram o Clube dos 13.

Santos, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Botafogo (RJ), Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético (MG), Cruzeiro, Inter (RS), Grêmio e Bahia passaram a dar as “cartas” e convidaram Goiás, Santa Cruz e Coritiba para participarem de uma competição enxuta, com 16 clubes, batizada de Copa União, em decorrência do patrocínio da empresa Açucar União. O outro patrocinador foi a Coca-Cola.

Claro que a imposição do Clube dos 13 não contou com respaldo da CBF, na época comandada pela dupla Otávio Pinto Guimarães e Nabi Chedid, presidente e vice-presidente respectivamente, já falecidos. Afinal, a estratégia rebelde do Clube dos 13 violava direitos adquiridos de clubes como Guarani, Bangu, América (RJ), Portuguesa e Criciúma. O Guarani, por exemplo, havia sido vice-campeão brasileiro no ano anterior e, em tese, jamais deveria ter sido excluído do seleto grupo. Afora essa leva relegada, clubes tradicionais como Vitória (BA), Sport Recife e Atlético (PR) também não admitiram rebaixamento à divisão inferior.

Aquele imbrólio requeria uma decisão política, e aí entrou em cena o também deputado estadual Nabi. A alternativa de cruzamento de módulos, que ele sugeriu, foi a forma acordada para equacionar o problema. Portanto, conforme o regulamento da competição, 32 clubes integraram o Campeonato Brasileiro, divididos em dois módulos de 16 equipes, com cruzamento apenas no quadrangular.

Por fim, interesses comerciais e da televisão pesaram na decisão de Flamengo e Inter para recusarem o cruzamento em seus jogos contra Guarani e Sport. Assim, coube à CBF homologar o Sport como campeão, Guarani vice, e ambos adquiriram o direito de representar o país na Copa Libertadores da América.

O Flamengo esperneou. Tentou reverter a decisão em tribunais desportivos, porém sem lograr êxito. Até a Fifa deu respaldo à CBF.

É prudente a recapitulação dos fatos para que os legalistas não contabilizem o título do Flamengo de 1987 como sendo do Campeonato Brasileiro. As regras do jogo - certas ou não - estão aí para o devido cumprimento.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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