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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Andrade valoriza posse de bola

Por que o sérvio Petskovic renasceu para o futebol e foi indicado como um dos principais destaques do Campeonato Brasileiro de 2009 com a camisa do Flamengo? Claro que o dedo do técnico Andrade foi fundamental para a performance surpreendente deste meia. Como o time flamenguista foi condicionado a valorizar a posse de bola, por extensão Pet foi acionado seguidamente, e de sua cabeça pensante surgiram as principais jogadas de ataque de seu time.

Andrade deu um show no comando do Flamengo na recente vitória sobre o Corinthians por 2 a 0, em Campinas. Depois, acuado por um batalhão de repórteres, não fugiu da habitual simplicidade e transferiu os méritos aos seus jogadores, diferentemente de treinadores arrogantes e marqueteiros, que elencariam táticas para se sobrepor ao adversário.

Ainda bem que o comentarista de futebol Júnior, profundo conhecedor da matéria, explicou aos telespectadores da TV Globo a sábia estratégia de Andrade de ordenar aos jogadores flamenguistas que ficassem o maior tempo possível com a bola nos pés, para evitar riscos. “Vejam que os jogadores do Flamengo evitam até cruzamentos para a área adversária, para não darem chances de rebote e perda da posse de bola aos jogadores corintianos”, detalhou Júnior.

A impressionante visão de jogo de Andrade foi logo identificada pela boleirada de sua equipe, que apoiou sua efetivação no cargo no início de agosto, após a saída do técnico Cuca. A rigor, privilegiada visão de jogo sempre foi característica preponderante de Andrade nos tempos de jogador do Flamengo entre os anos 70 e 80, quando participou do mais aplaudido trio de meio-de-campo do clube: Andrade, Adílio e Zico. Eles faziam a bola rolar de pé em pé. Preocupavam-se extremamente em valorizá-la, e assim desafogavam o setor defensivo. Apesar disso, quando os adversários procuravam se organizar, Andrade também mostrava capacidade para o desarme, coadjuvado por Adílio que cercava bem os espaços no setor, a despeito de ter sido um jogador criativo.

Andrade participou daquele inesquecível time do Flamengo de 1981, campeão da Libertadores da América sobre o Cobreloa (CHI), e Mundial de Clubes diante do Liverpool (ING): Raul Plasmman; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. O técnico era Paulo César Carpeggiani.

Mineiro de Juiz de Fora, 52 anos de idade, Jorge Luís Andrade da Silva começou a carreira no Flamengo em 1974, ganhou experiência nos dois anos emprestado ao Ula Mérida da Venezuela, e voltou ao exterior em 1988, no Roma da Itália. Na volta ao Brasil, ano seguinte, foi campeão brasileiro no Vasco. Depois a trajetória foi marcada em clubes modestos como Desportiva (ES), Operário (MS) e Bacabal (MA).

Como auxiliar técnico do Flamengo foi leal aos treinadores com os quais trabalhou. A sabedoria ao transmitir conceitos de seu tempo de jogador ao grupo que comanda serviu para sepultar a alternativa de técnico tampão. Ele soube pacientemente esperar a oportunidade.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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