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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Getúlio, o GG da cara grande

Inegavelmente boleiros têm prazer em colocar apelidos nos colegas, e ainda bem que na maioria das vezes a brincadeira fica restrita ao círculo em que trabalham. Como toda regra tem exceção, o mineiro Getúlio Costa de Oliveira encaixa nela. Por causa da grande cabeça, maldosamente foi identificado como “GG da cara grande”.

Pelo mesmo motivo, sarcásticos boleiros do juvenil do Guarani tentaram apelidar o ex-volante Mauro Silva de Tulião. Não fosse a intermediação do então técnico da garotada, Pupo Gimenez, certamente Mauro Silva se consagraria como o volante Mauro Tulião no tetracampeonato mundial de futebol do Brasil, em 1994, nos Estados Unidos. Pupo havia pedido à imprensa campineira que identificasse o jogador pelo nome verdadeiro.

Por que Tulião? A princípio era Mauro Getulião, porque os boleiros traçavam semelhança entre as cabeças dos dois jogadores. Depois, optaram pela redução do apelido para Tulião por ser mais sonoro.

Getúlio chegou nas categorias de base do Atlético Mineiro com currículo de centroavante, em 1970. Dois anos depois, na Taça São Paulo de Futebol Júnior, o técnico Barbatana o deslocou à lateral-direita, considerando o bom passe e facilidade para bater na bola nos cruzamentos.

Essas virtudes sobrepunham os defeitos de Getúlio, um lateral tido como pesado, passadas lentas e dificuldade para enfrentar ponteiros-esquerdos rápidos. Por sorte, na maior parte da carreira raramente enfrentou ponteiros-esquerdos velozes. A maioria foi quarto homem de meio-de-campo.

Podem colocar quaisquer objeções ao futebol de Getúlio, mas o certo é que só jogou em grandes clubes brasileiros. No “Galo” atuou ao lado de Toninho Cerezo e Reinaldo. Em 1977, no São Paulo, sagrou-se campeão brasileiro justamente contra seu ex-clube, no Estádio do Mineirão, diante de 102.974 pagantes. Após empate sem gols, a definição deu-se através de cobrança de pênaltis e o Tricolor ganhou por 3 a 2, com Getúlio e Chicão perdendo pênaltis para o São Paulo.

O time base são-paulino era formado por Valdir Peres; Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro e Daryo Pereira; Viana, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Jogadores como Estevam Soares - hoje treinador - e Mirandinha também integravam o elenco.

Nos oito anos de São Paulo, Getúlio marcou 34 gols, a maioria de pênaltis. E ao chegar ao Fluminense em 1984, mal sabia que amargaria a reserva do velocista Aldo, que incansavelmente levava a bola ao fundo de campo. O Fluminense foi campeão daquele Brasileirão, mesmo com a imprudência dos cartolas que demitiram o técnico Carbone - com o time na liderança - e contrataram Carlos Alberto Parreira.

Getúlio jogou na Seleção Brasileira, principalmente durante as Eliminatórias à Copa do Mundo de 1982. Por isso, não esconde a mágoa ao ter sido relegado pelo técnico Telê Santana àquele Mundial, na Espanha. Edvaldo, do Fluminense, foi no lugar dele.

O final de carreira foi nos Estados Unidos, no Hollywood Kikers de Los Angeles. Depois trabalhou como técnico nas categorias de base do Galo.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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