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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Faltas na ‘pancada’

Embora não haja estatísticas para se comparar proporções de gols de falta hoje com décadas passadas, no “olhômetro” pode-se assegurar que entre os anos 50 a 70 o aproveitamento era maior e habilitava-se às cobranças boleiros que pegavam forte na bola.

No futebol brasileiro, provavelmente não tenha surgido quem chutasse com a força do ponteiro-esquerdo Pepe, do Santos. Ele furava redes do time adversário, e ficou conhecido como o “Canhão da Vila”. Mesmo em faltas nas proximidades da área, a preferência recaía sobre quem chutava forte. E são inúmeros os exemplos de bons cobradores: Carlucci, lateral-esquerdo do Botafogo de Ribeirão Preto (SP), raramente passava dois jogos sem marcar.

Geralmente quem cobrava era o meia de armação, que pegava forte e com direção na bola. Jair da Rosa Pinto, o Jajá, do Palmeiras, tinha uma “patada” no pé que aterrorizava goleiros adversários. Lelé, ex-Vasco e Ponte Preta, foi identificado como patada atômica. Igualmente Rivelino do Corinthians e Nelinho do Cruzeiro estufavam as redes com seus potentes chutes.

Numa demonstração de força na perna direita para o chute, Nelinho colocou propositalmente a bola fora do Estádio do Mineirão. Oldair, volante do Atlético Mineiro, também chutava forte, porém sem tanta precisão.

É justo ressaltar que marcou o gol da vitória do Galo contra o São Paulo, no triangular final do Campeonato Brasileiro de 1971, no Estádio do Mineirão. Quando chutou, o meia Gerson, na barreira, abaixou a cabeça para se proteger da bola. Depois o Galo ganhou do Botafogo (RJ), no Estádio do Maracanã, e comemorou o primeiro título da competição.

Na ocasião, Telê Santana era o técnico do Atlético (MG), e ficava furioso quando seus jogadores demonstravam medo de ficar na barreira. A rigor, na primeira passagem pelo São Paulo, em 1973, durante uma partida, o técnico se irritou quando um jogador de seu time tirou a cabeça da bola num chute forte de um adversário, em cobrança de falta. A bola entrou, e na reapresentação dos jogadores, no dia seguinte, Telê os levou para o campo, ficou parado nas imediações da área, e mandou o jogador medroso chutar a bola com toda força na direção dele, desviando alguns chutes de cabeça. Depois, ficou de costas e mandou o mesmo jogador chutar com toda força no corpo dele. E quando o jogador acertou o alvo, Telê sorriu e disse que bolada não mata.

Evidente que cobradores de falta com a maestria do meia Didi - com passagens por Fluminense e Botafogo (RJ) -, que batia colocado e fora do alcance dos goleiros, também tiveram espaço. Didi inventou a folha seca, que consistia em dar efeito na bola, que caía no gol adversário.

Zico, no Flamengo, talvez tenha sido quem mais se assemelhou a Didi no chute folha seca. Neto, cujo auge na carreira foi no Corinthians, batia colocado ou com força.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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