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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Chinesinho, venda milionária

O Bar do Elias, nas imediações do Estádio Palestra Itália, zona Oeste de São Paulo, ainda é reduto de ex-jogadores palmeirenses, que cultivam amizades. De vez em quando aparece por lá um septuagenário troncudo, baixinho, apelidado por Chinesinho, que aprecia um bom chope. Quem não o conhece jamais imaginará que gerou alta rentabilidade ao Palmeiras.

E foi com a montanha de dinheiro proveniente da venda do passe dele para o Modena, da Itália, que os cartolas concretizaram o sonho da construção do Jardim Suspenso, em meados da década de 60. O Estádio Palestra Itália foi ampliado e o recorde de público deu-se na conquista do título paulista em 1976, na vitória por 1 a 0 sobre o XV de Piracicaba, com 35.913 pagantes.

O jornalista-empresário italiano Geraldo Sanela ficou tão encantado com os toques na bola refinados desse gaúcho que nem quis pechinchar redução de preço para a transferência, em setembro de 1962. Com isso ganhou o Modena, que desfrutou de um meia-esquerda de privilegiada visão de jogo, e depois o repassou com lucro para o Catânia. Em 1965, a cidade de Turim deu boas vindas ao hóspede ilustre, contratado pela Juventus. E os últimos cinco anos de futebol italiano foram no Lanerossi, de Vicenzo. Foi lá que ele serviu de inspiração para o ainda menino Roberto Baggio, que o acompanhou até o término da carreira em 1973, aos 38 anos de idade.

Pena que “Cinesinho” - como era chamado pelos italianos - não dimensionou a falta de vocação para exercer a função de treinador, e fracassou logo na primeira experiência, no próprio Lanerossi, com a queda da equipe à Série B daquela competição nacional.

Para os brasileiros que não tiveram privilégio de vê-lo em campo, saibam que o estilo era semelhante ao do ex-meia Zenon - Guarani, Corinthians e Atlético (MG). O diferencial pró Chinesinho foi contundência nos arremates, enquanto Zenon valorizava a assistência.

Chinesinho dava show no time do Inter (RS) e o também meia Ênio Andrade, que já estava no Palmeiras, enaltecia as virtudes ao técnico Osvaldo Brandão, que indicou a contratação. No pacote, também veio para o Palmeiras o goleiro Valdir Joaquim de Moraes. Com isso, o Verdão foi sedimentando a estrutura para o Campeonato Paulista de 1959.

Conclusão: o time quebrou um jejum de nove anos sem títulos em três jogos decisivos contra o então invicto Santos, após ambos empatarem na pontuação em dois turnos de pontos corridos. Nos dois primeiros jogos decisivos foram registrados empates em 1 a 1 e 2 a 2. Na terceira partida, o Santos vencia com gol de Pelé, mas o Palmeiras virou com gols de Julinho Botelho e Romeiro.

Eis os campeões: Valdir; Djalma Santos, Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Nardo, Américo e Romeiro. Sidney Colônia Cunha, o Chinesinho, 74 anos de idade, jogou 20 vezes na Seleção Brasileira.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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