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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Carlos Germano, o vascaíno

A bola da vez do futebol brasileiro é o Vasco da Gama. Também pudera, mesmo com a redução natural de público nos estádios, colocou 76.211 torcedores no Estádio do Maracanã por ocasião do jogo contra o modesto Ipatinga (MG), no dia 22 de agosto passado, pela Série B do Campeonato Brasileiro, recorde absoluto de público entre as quatro divisões das competições nacionais organizadas pela CBF.

Novamente em jogo disputado num sábado à tarde, Vasco e Guarani levaram 52.904 pessoas ao Estádio do Maracanã, dia 19 de setembro. E mesmo numa sexta-feira à noite, no mesmo local, contra o Ceará, 27.450 espectadores viram a derrota cruzmaltina por 2 a 0.

No futebol, nada melhor que um dia após o outro. Ano passado, a desastrosa derrota do Vasco para o Vitória (BA) por 2 a 0, no Estádio São Januário, decretou o seu rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro. Lembram-se daquele desesperado torcedor que ameaçou se atirar das marquises? Pois é, não fossem hábeis policiais distraí-lo, e rapidamente agarrá-lo, o suicídio seria inevitável. E sabem o que aquele torcedor - identificado por Luiz Fernando - argumentou para aquele comportamento? Com o rebaixamento do Vasco já não tinha mais razão de viver.

Felizmente o rapaz está vivo e, de certo, vibrando com a extraordinária campanha de seu clube. Também o ex-goleiro Carlos Germano sofreu com o triste desfecho do ano passado. Viu a torcida cantar três vezes o hino do clube, tinha esperança que os experientes jogadores Odvan, Edmundo e Pedrinho pudessem fazer a diferença, mas foi tudo em vão.

Mais que preparador de goleiros do Vasco, a ligação umbilical com o clube provocou dor profunda, sem que se desesperasse. Mesmo com o coração partido ainda projetou rápida recuperação. “Acho que a trajetória do Vasco será que nem a do Corinthians que caiu, aprendeu a lição e voltou com sobras”.

Hoje, Carlos Germano Schwembach Neto pode comprovar sua previsão e lembrar que o Vasco é um clube recheado de glórias. Como atleta vascaíno de 1990 a 1999, foi recompensado com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores da América em 1997, ano em que também foi campeão da Copa América pela Seleção Brasileira.

Carlos Germano, 39 anos de idade, é um capixaba natural de Domingos Martins, tem 1,90m de altura, e foi um goleiro de elasticidade. Por incontáveis vezes “fechou o gol” e garantiu o bicho para os companheiros. Por isso o técnico Mário Jorge Lobo Zagallo o levou como reserva de Taffarel à Copa do Mundo de 1998, na França. No selecionado ele jogou nove vezes.

Divergências financeiras para renovação de contrato com o Vasco implicaram na saída do clube em 2000. A partir daí não manteve a regularidade nas passagens por Santos, Portuguesa, Inter (RS), Botafogo (RJ) - onde caiu à Série B - Paysandu, América (RJ), Penafiel de Portugal e Madureira.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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