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 Ariovaldo Izac
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Reminiscências
 

Félix divide opiniões

Quem acessar a seção de ídolos no site oficial do Fluminense Futebol Clube vai deparar com os nomes de Tim, Telê Santana, Castilho, Pinheiros, Didi, Gérson, Rivelino, Edinho, Branco e Renato Gaúcho. Eis a questão: por que o goleiro Félix, tricampeão mundial com a Seleção Brasileira no México, em 1970, está fora dessa leva?

Simples. Felix foi um goleiro só razoável, com o diferencial de ter a sorte de estar no lugar certo na hora certa. Naquele timaço de 70 foi identificado mais pelas falhas do que as defesas importantes. Instigado sobre a polêmica, ele contra-ataca: "Todos diziam que a Seleção tinha um time, mas não tinha goleiro. Eu provei que podia ser titular".

A rigor, não fosse a troca no comando técnico da Seleção, às vésperas daquela Copa, Félix sequer teria viajado para o México. Se João Saldanha fosse mantido como treinador, prevaleceria a lista com os goleiros Ado e Leão, que atuavam no Corinthians e Palmeiras. Com a chegada de Mário Jorge Lobo Zagalo como comandante, uma das mudanças foi relacionar três goleiros. Assim, Félix voltou ao grupo e reassumiu a posição de titular.

Félix atuou pela Seleção Brasileira 48 vezes. A estréia foi no dia 21 de novembro de 1965, no Estádio do Pacaembu, na vitória sobre a Hungria por 5 a 3. A equipe foi representada por jogadores que atuavam no futebol paulista e teve a seguinte formação: Félix; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Procópio e Edilson; Lima e Nair; Marcos, Prado, Servílio e Abel.

O goleiro foi lançado no Juventus (SP) em 1954 e, no ano seguinte, já era reserva de Cabeção na Portuguesa. E como esquentou o banco! Só estreou em março de 1956, com a convocação do titular à Seleção Brasileira. Uma estréia com vitória por 2 a 1 sobre o Newell’s Old Boys da Argentina, no Estádio do Pacaembu.

Um ano depois, mesmo com a transferência de Cabeção para o Corinthians, Felix continuou jogando no time de aspirantes, na preliminar. É que os cartolas da Lusa foram buscar o goleiro Carlos Alberto, no Vasco. Posteriormente, foi fixado como titular até 1964, com a chegada de Orlando. Aí, ambos se revezavam a cada partida, uma atitude de praxe de treinadores da época para casos de goleiros de mesmo nível técnico. O revezamento acabava quando um deles se destacava mais e, nesse caso específico, ligeira vantagem para Félix, protagonista de uma experiência inusitada.

Numa excursão da Lusa aos EUA, no jogo contra o Massachusetts, de Nova York, ele foi jogar no ataque quando seu time massacrava por 9 a 0, e marcou o décimo gol. O resultado do jogo foi 12 a 1.

Em 1968 trocou a Lusa pelo Fluminense, onde foi titular absoluto até 1977, quando encerrou a carreira. Hoje, aos 72 anos de idade, trabalha como instrutor de escolinha de futebol da Prefeitura de São Paulo, destinada a crianças carentes.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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