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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Forlán botinudo

Os uruguaios Forlán se notabilizaram no futebol em trincheiras diferentes. Enquanto o filho Diego Martín Forlán Coraza crava seu nome no Campeonato Espanhol como artilheiro da temporada passada, o pai foi um mau exemplo de disciplina abusando da violência nos tempos de Peñarol e São Paulo.

Felizmente Diego Forlán herdou do pai apenas o bom caráter e foi aprender a jogar futebol do seu jeito, que é infernizar zagueiros adversários e fazer gols. Como recompensa ganhou a chuteira de ouro na Espanha e o título de melhor esportista uruguaio do ano. Aos 30 anos de idade, 1,79m de altura, é jogador do Atlético de Madrid e registra passagem pela seleção uruguaia na Copa do Mundo de 2002.

Quanto ao pai, Pablo Justo Forlán Lamarque, 64 anos, batia até na sombra, como se dizia no passado, e se orgulhava disso. “O melhor momento de se amedrontar os adversários são os primeiros cinco minutos de jogo, quando o juiz nunca expulsa”.

De fato nos anos 70 até meados da década de 80 havia complacência dos árbitros em relação a jogadas violentas em inícios de partidas. A aplicação do cartão amarelo era sempre precedida de advertência verbal. Enquanto isso Forlán abusava. Intimidava antigos ponteiros-esquerdos com boa “sapatada”, e muitos deles “corriam do pau”. Acovardados, voltavam ao meio de campo para armar jogadas. E quando iam à frente fechavam em diagonal na vã tentativa de se distanciar de Forlán, que na maioria das vezes os acompanhavam por dentro.

Claro que o futebol do lateral Forlán não se restringia à pancadaria. Era, de fato, bom marcador. Tinha vitalidade física invejável e cobrava o mesmo espírito guerreiro dos companheiros. Foi assim de 1963 a 1970 no Peñarol e nos seis anos subseqüentes no São Paulo, trazido pelo empresário Juan Figger. Naquele período conquistou títulos e a simpatia dos torcedores.

A maior glória do futebol foi em 1966, no Peñarol, quando conquistou a Libertadores da América com a vitória por 4 a 2 sobre o River Plate da Argentina, na terceira partida decisiva; e Copa Intercontinental, na vitória por 2 a 0 sobre o Real Madrid, em Montevidéu (URU), após derrota pelo mesmo placar na Espanha. Naquele time, jogou ao lado do também uruguaio Pedro Rocha e do equatoriano Alberto Spencer, falecido em 2006 aos 67 anos de idade. Spencer foi o melhor jogador equatoriano de todos os tempos.

Depois do São Paulo, Forlán ainda jogou no Cruzeiro antes de retornar ao Uruguai, com passagens por Nacional de Montevidéu e Defensor Sporting , onde encerrou a carreira em 1984. Tentou permaneceu no meio como treinador das categorias de base, mas terminou como olheiro no futebol uruguaio, e de vez em quando dá palpites errados. Ao citar que gostaria de ver o filho Diego jogando no Barcelona, levou uma invertida do presidente do Atlético de Madrid, Enrique Cerezo: “Quem é que joga: pai ou filho?”, questionou.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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