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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Natal, boemia e futebol

Ah se a noite de Belo Horizonte falasse! De certo contaria histórias mirabolantes do ex-boêmio Natal de Carvalho Baroni, que em novembro vai completar 63 anos de idade. Ele foi um hábil e veloz ponteiro-direito do Cruzeiro na década de 60, período em que também fazia sucesso com a mulherada em automóveis conversíveis.

Se desde aquela época até boleiros com indescritível feiúra viviam rodeados de mulheres, imaginem alguém que exibia a cabeleira esvoaçada e metido a galã como Natal, que adorava o assédio de “Marias Chuteira”.

Felizmente Natal jogou numa época em que a maioria dos clubes programava treinos apenas no período da tarde. Assim, era possível recompor o sono perdido à noite no período da manhã. À tarde, dava piques e levava a bola ao fundo do campo com extrema facilidade. Também sabia fechar por dentro em jogadas no lado oposto, e por isso fazia gols, o principal deles na vitória de virada do Cruzeiro sobre o Santos por 3 a 2, no Estádio do Pacaembu, na finalíssima da Copa Brasil (hoje Copa do Brasil). Naquele dia 7 de dezembro de 1966, o time mineiro perdia por 2 a 0, reagiu, e ganhou por 3 a 2, gols de Tostão, Dirceu Lopes e Natal aos 44 minutos do 2º tempo. Pelé e Coutinho marcaram para o Peixe e o público foi de 45 mil pagantes.

Uma semana antes, no Estádio do Mineirão, o Cruzeiro goleou por 6 a 2, com três gols de Dirceu Lopes, Natal, Zé Carlos e Tostão. Toninho Guerreiro (já falecido) marcou os gols do Santos. O árbitro dos dois jogos foi Armando Marques.

O time titular Cruzeiro tinha Raul Plasmman; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. O futebol era comandado pelo dirigente Felício Brandi, ligado ao clube de 1961 a 1982, e morreu no dia 24 de fevereiro de 2004 quando passava o carnaval em sua fazenda, em Campinas (SP).

Aquela foi a 8ª edição da Copa Brasil, organizada pela antiga CBD (Confederação Brasileira de Desporto). O Santos havia conquistado as últimas cinco competições, e a copa se prolongou por mais dois anos. Em 1967 o título foi conquistado pelo Palmeiras. O Botafogo levantou o caneco na temporada seguinte.

Natal, 1,66m de altura, nascido em Belo Horizonte, foi levado ao Cruzeiro com 13 anos de idade. Estreou na equipe principal em 1965 e permaneceu na Toca da Raposa até 1971. Lá ganhou o apelido de “Diabo Loiro” e foi decisivo em jogos contra o Atlético (MG).

Em 1971 foi jogar no Corinthians e a partir daí começou o repasse de clubes, com volta ao Cruzeiro em 1972, ano em que também jogou no Bahia. Depois passou por Vitória (BA) e clubes mineiros como América, Valeriodoce e Vila Nova. Jogou ainda no Londrina e Deportivo da Colômbia.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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