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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Zequinha, um bicampeão

É gratificante para o personagem focalizado semanalmente neste espaço receber homenagem em vida e a coluna tem priorizado isso, tanto que em abril de 2008 contou a história do volante Zequinha, do Palmeiras. Com a morte dele dia 26 de julho, evidentemente o texto será reproduzido.

Nas décadas de 50 e 60, treinadores de Seleção Brasileira tinham que pautar pelo equilíbrio entre Rio de São Paulo nas convocações de jogadores. Veículos de comunicação de ambos os Estados pecavam pelo bairrismo e por isso via-se, com freqüência, chamados inesperados de jogadores para integrar o selecionado.

O ex-técnico Carlinhos - jogador do Flamengo nos anos 60 - não esconde a mágoa de ter sido relegado para a Copa do Mundo de 1962, no Chile, quando o Brasil conquistou o bicampeonato. Definição política ou não, o certo é que Zequinha, então volante do Palmeiras, também tinha credenciais para estar entre os 22 relacionados, como reserva de Zito, ex-Santos, e comemorou o bicampeonato mundial.

A rigor, segundo o livro "Seleção Brasileira - 90 anos", de Roberto Assaf e Antonio Napoleão, Zequinha participou de 17 partidas pelo selecionado brasileiro, com retrospecto de 14 vitórias, um empate, duas derrotas e marcou dois gols.

Naqueles tempos seria exagero cobrar dos volantes postura de marcadores implacáveis. Quando muito cercavam meio-campistas adversários e deslocavam para os lados do campo para cobrir laterais. E, com a bola, eram bons distribuidores de jogadas, principalmente acionando os laterais.

Essa era, basicamente, a função do pernambucano José Ferreira Franco, do Palmeiras, apelidado por Zequinha devido ao tamanho - 1,66m de altura. No entanto, ele se diferenciava da maioria na posição pela excelente preparação física. Como corria demais, atrevia-se, com freqüência, às “descidas” ao ataque e finalizava ao gol adversário de média distância, com chute forte.

Zequinha, nascido em 18 de novembro de 1934, em Recife (PE), começou a carreira no extinto Auto-Esporte de Recife, na década de 50, depois passou pelo Santa Cruz (PE) e jogou no Palmeiras entre 1958 e 1968, com histórico de 417 jogos: 247 vitórias, 83 empates e 87 derrotas. Foram 40 gols e o orgulho de colecionar títulos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão), Taça Brasil, Torneio Rio-São Paulo e Campeonato Paulista de 1959, 1963 e 1966, segundo informações citadas no "Almanaque do Palmeiras".

Sem dúvida que o título paulista de 1959 foi especial. Na ocasião, atuou num time formado por Valdir de Moraes; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho, Nardo, Américo e Romeiro.

Já nos anos 60, com a chegada de Dudu, ex-Ferroviária de Araraquara (SP) ao Parque Antártica, o pernambucano foi para a reserva e, ao sair do Palmeiras, ainda jogou respectivamente no Atlético (PR) e Náutico.

Ao pendurar as chuteiras, fixou-se em Recife, garantiu a aposentadoria, e ainda melhorou a renda ao adquirir uma casa lotérica em Olinda (PE), administrada por pessoas de confiança, pois seqüelas de um derrame haviam limitado suas atividades.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)      

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