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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Giulite Coutinho, o dirigente

O ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Giulite Coutinho havia deixado uma ordem para que, quando morresse, ninguém fosse avisado. As pessoas que o cercavam a cumpriram só por algumas horas no dia 4 de abril, quando ele morreu, vítima de ataque cardíaco, após se submeter a cirurgia na boca, no Rio de Janeiro. O dirigente tinha 87 anos de idade.

Após ter sido cremado, o fato foi amplamente divulgado. Aí, desportistas da velha guarda logo lembraram das modificações que Giulite começou a implantar no futebol, quando presidiu a entidade entre 1980 a 1986.

Giulite chegou à Rua da Alfandega - sede da CBF - com histórico ligado ao América do Rio, clube que presidiu nos biênios 1955/56 e 1969/70. Foi sócio benemérito e comandou a comissão de obras da arena esportiva do clube, que recebeu o seu nome. O estádio, inaugurado parcialmente em 2000, tem capacidade para acomodar 6,1 mil torcedores, e fica em Edson Passos, distrito de Mesquita.

Evidente que a má fase do América o entristecera. O rebaixamento no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro do ano passado o incomodou. Afinal, o clube tem sete títulos na competição, o principal deles em 1960, ano em que o compositor e fanático torcedor Lamartino Babo festejou com traje de um diabo.

Giulite começou a projetar uma nova estrutura para o futebol nos anos 80. Teve a sorte de assumir a recém criada CBF, entidade que passou a cuidar exclusivamente do futebol, diferentemente da antecessora CBD (Confederação Brasileira de Desporto), que centralizava a organização do esporte em todo país. Hoje, cada modalidade tem a sua confederação.

Assim, se em 1979 o Campeonato Nacional teve o recorde de clubes - total de 94 -, em 1980 o número foi reduzido com a adequação em três divisões: Taça de Ouro (40 clubes), Taça de Prata e Taça de Bronze. Curioso é que na administração Giulite foi criada a repescagem, alternativa que dava chances aos clubes da Taça de Prata ingressarem na divisão principal a partir da segunda fase.

A experiência foi repetida até 1985, com variações de fórmulas a partir da terceira fase. As opções foram composições em grupos de quatro clubes ou jogos eliminatórios. Em 1986 foram incluídos mais quatro clubes e o campeonato teve 44 participantes.

Naquela época os clubes não tinham cadeira cativa nas principais competições organizadas pela CBF. As vagas eram conquistadas nos campeonatos estaduais, observando-se as melhores colocações. Por isso Palmeiras e Corinthians disputaram a Taça de Prata.

Bem que Giulite tentou fazer o seu sucessor no processo eleitoral da CBF. Seu diretor de futebol João Maria Medrado Dias foi candidato da situação, derrotado pela dupla Otávio Pinto Guimarães e Nabi Chedid, respectivamente candidatos a presidente e vice, ambos já falecidos.

Na prática, Otávio e Nabi pegaram um “abacaxi”. Ao assumirem em 1987 enfrentaram resistência de grandes clubes, que criaram o Clube dos 13 e organizaram a Copa União com 16 equipes, posteriormente incorporada pela CBF.

A exigência da entidade, constada em regulamento, era o cruzamento dos módulos: os dois primeiros colocados do módulo verde (Copa União) deveriam enfrentar os dois primeiros do módulo amarelo (segunda divisão), em um quadrangular decisivo. O Clube dos 13 rechaçou a medida e a CBF reconheceu o Sport (PE) como campeão após jogos decisivos contra o Guarani.

Depois disso Guilite esteve ligado apenas ao América e pouco se falou dele até a morte.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   
(interinamente escrita por Elcio Paiola)   

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