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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Osvaldo, o “ponte aérea”

A concepção de profissionalismo absoluto no futebol e a crescente adesão ao grupo denominado “Atletas de Cristo” mudou bastante a postura dos boleiros no quesito infidelidade matrimonial. Outros tempos, jogador de futebol - exceto raras exceções - era tido como mulherengo. Quando a chamada “Maria Chuteira” (mulher que procura jogadores) cruzava seu caminho, ele a “laçava”. Casados enganavam as mulheres com desculpas esfarrapadas de concentrações prolongadas e se esbaldavam em noitadas com as pretendentes.

Hoje, com vigência de regimes estritatamente profissionais implementados pelos clubes, a situação se modificou. O boleiro já pensa mais na família e a televisão flagra frequentemente coreografia com gestos de carinho às namoradas e esposas através de beijos na aliança, riscos imaginários no ar como símbolo de coração, e por aí vai. O atleta tem consciência que a preservação do bom condicionamento físico implica necessariamente em noites bem dormidas e sem vícios do álcool e tabaco.

Nos anos 60, quando o boleiro tinha fama de desregrado, Osvaldo Taurizano, conhecido no mundo da bola como Osvaldo “ponte área”, era uma das exceções. E sabem por que? Porque gastava boa parte do dinheiro de seu salário do Flamengo em viagens aéreas do Rio de Janeiro a São Paulo, e depois complementava o percurso até Campinas de ônibus, para encontrar a namorada Marilena, a Neca. Isso aconteceu na década de 60, após se transferir do Guarani para o Flamengo.

O jornalista Milton Neves, âncora da Rádio Bandeirantes, informou recentemente que Osvaldo estava muito doente e isso naturalmente preocupou antigos companheiros de Guarani e Flamengo. Além de bom caráter, o ex-ponteiro-esquerdo foi ovacionado, quando jogava em Campinas, por marcar gol olímpico, numa época em que raríssimos boleiros conseguiam tal façanha.

A facilidade para bater na bola transformou Osvaldo em cobrador oficial de faltas e ele correspondia plenamente com um índice de aproveitamento acima da média. Também sabia fechar em diagonal para completar as jogadas. Assim, chegou a Seleção Brasileira na década de 60, e fez gol na inauguração dos refletores do Estádio Brinco de Ouro em 1963, em jogo do Guarani contra o Flamengo. Na época, o time bugrino contava, entre outros, com o goleiro Dimas Monteiro (já falecido), Osvaldo Cunha, Eraldo, Diogo, Amauri e Berico.

No Flamengo, Osvaldo jogou ao lado do goleiro Maciel, Carlinho, Murilo e Paulo Henrique. Dessa leva, quem mais se destacou foi o volante Carlinhos, que até hoje não engole ter sido relegado do grupo de jogadores brasileiros que disputou a Copa do Mundo de 1962 no Chile, ocasião em que os comandados do técnico Aimoré Moreira conquistaram o bicampeonato mundial. Carlinhos se considerava um volante com mais potencial que Zequinha, relacionado como reserva de Zito.

Quanto a Paulo Henrique, disputou a malfadada Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando o Brasil foi um fiasco. Ganhou o primeiro jogo da Bulgária por 2 a 0, e depois perdeu as outras duas partidas restantes da primeira fase, ambas por 3 a 1, para Hungria e Portugal, respectivamente.

Pelé se machucou logo no primeiro jogo e o técnico Vicente Feola abusou de alterações na equipes nas partidas seguintes. E com as derrotas, o Brasil foi eliminado precocemente da competição.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   
(interinamente escrita por Elcio Paiola)   

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