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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Eduardo Amorim e a disciplina tática

O mineiro Eduardo Fernandes Amorim foi tido como jogador coadjuvante quando esteve vinculado ao Cruzeiro, Corinthians e Santo André, nas décadas de 70 e 80. A fama de “carregador de piano” deve-se à disciplina tática. Embora fosse originariamente atacante, recuava e ajudava companheiros meio-campistas na marcação.

Cabe esclarecer que Eduardo era um ponteiro-direito com relativos recursos técnicos. Sabia fazer precisos cruzamentos desde os tempos de Cruzeiro, de 1969 a 1981, e tinha versatilidade para conduzir a bola em diagonal, o que levou treinadores a adaptá-lo como ponta-de-lança no curso da carreira, com maior intensidade no Corinthians, onde passou de 1981 a 87, encerrando a carreira no ano seguinte no Santo André.

No histórico de títulos, ênfase para o da Taça Libertadores da América em 1976, pelo Cruzeiro. Foram três jogos contra o River Plate, da Argentina, o primeiro deles com goleada mineira por 4 a 1 no Estádio do Mineirão.

No segundo jogo, no Estádio Monumental de Nuñes, em Buenos Aires, Eduardo ficou indignado com a desastrosa arbitragem do uruguaio José Martinez Bazán, que validou o segundo gol argentino em jogada irregular, resultando em vitória dos mandantes por 2 a 1. O lateral-esquerdo Vanderlei, do Cruzeiro, foi empurrado no lance que precedeu o gol e a falta não foi marcada.

No terceiro jogo, em Santiago, no Chile, com vitória cruzeirense por 3 a 2, Nelinho, de pênalti, abriu o placar, e Eduardo ampliou para os mineiros. O River empatou e foi derrotado aos 43 minutos do segundo tempo. Numa falta nas imediações, Nelinho - o cobrador oficial do time - já se preparava para a cobrança quando o atrevido Joãozinho bateu de curva na bola e marcou.

No final, os cruzeirense se ajoelharam no centro do gramado e rezaram em memória do companheiro Roberto Batata, morto no dia 13 de maio daquele ano, dois dias após “arrebentar” com a partida contra o Alianza, em Lima, no Peru, na goleada cruzeirense por 4 a 0.

Batata dirigia seu veículo Chevette na Rodovia Fernão Dias - que liga Belo Horizonte a São Paulo - quando se envolveu em um acidente fatal.

E entre abraços da boleirada nos vestiários, o técnico Zezé Moreira (já falecido) deu uma tremenda bronca em Joãozinho, apesar dele ter feito o gol da vitória. “Seu moleque irresponsável! Nosso cobrador de falta é o Nelinho, ouviu”?

No Corinthians, Eduardo assimilou rapidamente a democracia corintiana, movimento liderado pelos jogadores Sócrates, Casagrande e Vladimir, que consistia nos rumos do futebol do clube através dos votos de jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes. Contratações, dispensas e regras de treinamentos e concentração eram decididos pela vontade da maioria, em pleno regime militar.

Reflexo da abertura democrática ou não, o certo é que o Timão de Eduardo conquistou o bicampeonato paulista em 1982/83, num time formado por Leão; Alfinete, Mauro, Juninho e Wladimir; Paulinho, Biro-Biro e Zenon; Eduardo, Sócrates e Casagrande.

Como treinador do Corinthians, em 1995, Eduardo conquistou os títulos paulista e da Copa do Brasil. Depois trabalhou no Atlético (MG), Lusa, Sport Recife e América (RN). Ficou, ainda, oito anos no futebol da Grécia.

Ano passado, de volta ao Brasil, topou o desafio de comentar futebol na TV Alterosa, de Minas.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   
(interinamente escrita por Elcio Paiola)   

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