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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Zagueiraço Dario Pereyra

Dos 52 anos de idade completados no dia 19 de outubro passado, o uruguaio Dario Alfonse Pereyra, natural de Sauce, passou 31 deles no Brasil, e não se pode dizer que fala português fluentemente. Quanto muito arrasta um “portunhol”, coisas desses gringos platinos. Foi assim com seus conterrâneos Pablo Furlan e Pedro Virgílio Rocha, ex-lateral e meia são-paulinos, respectivamente na década de 70.

Rocha foi um extraordinário meia quer na organização, quer na complementação de jogadas. Pena que não prosperou como treinador.

A rigor, Dario também projetava próspera carreira como treinador, mas ficou marcado apenas como um dos melhores zagueiros do São Paulo de todos os tempos.

Dario foi um volante que deu certo como meia de armação e principalmente como zagueiro no tricolor paulista, a partir de 1980, quando o então técnico Carlos Alberto Silva decidiu recuá-lo para o setor em jogo contra a Ponte Preta.

Naquele período, com aparições contínuas de jogadores talentosos em todas as posições, era admissível aqueles de estilo clássico recuarem para a defesa, principalmente quando incorporavam determinação e capacidade para o desarme.

Dario sabia tomar a bola de hábeis atacantes adversários e, na maioria das vezes, limpava a jogada antes do bom passe. Sua impulsão também era invejável. Ao lado de Oscar formava uma dupla de zaga quase intransponível por cima.

Com 19 anos de idade, em seu país, Dario era titular absoluto do Nacional. Aos 21 anos exibia a braçadeira de capitão do selecionado uruguaio, ocasião em que se transferiu para o São Paulo, sem contudo assumir a camisa titular de imediato. Estreou dois meses depois da chegada, com início marcado por seqüência de contusões.

Depois, quando as coisas se encaixaram, permaneceu no São Paulo durante 11 anos. O histórico é de 451 partidas, 38 gols e títulos do Paulistão em 1980/81/85/87 e pelo Campeonato Brasileiro em 1977/86. Em 1977, na dramática final contra o Atlético (MG), o time são-paulino era formado por Waldir Peres; Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro e Dario Pereyra; Viana, Mirandinha e Zé Sérgio.

Evidente que um jogador com aquelas virtudes era requisitado seguidamente em convocações ao selecionado uruguaio, a contragosto de dirigentes são-paulinos, obrigados a liberá-lo. E com a camisa azul-celeste realizou 34 partidas.

Em 1988, com 32 anos de idade, contemplado pelo benefício da antiga Lei do Passe, topou disputar 12 jogos do Campeonato Brasileiro pelo Flamengo, e, no ano seguinte, jogou no Palmeiras. Em 1990 passou pelo Atlético (MG) e foi buscar dólares no Osaka, do Japão, na época chamado de Matsushita Eletronic. O encerramento da carreira foi em 1992.

O uruguaio viveu um drama com a morte da mulher Elenita Caparroz Pereyra em 24 de março de 1994. Durante cirurgia de lipoaspiração, os intestinos dela foram perfurados, resultando em infecção generalizada.

Com bom “trânsito” no São Paulo, ganhou chance de comandar garotos da categoria de base do clube, até que em 1997 foi promovido à função de treinador da equipe principal. Outras oportunidades surgiram no Coritiba, Atlético (MG), Guarani, Corinthians, Paysandu e Grêmio, mas não vingou.   

Depois, estagiou como gerente de futebol no Avaí, de Santa Catarina, e agora é funcionário da Traffic. Desempenha a função de consultor.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br        

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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