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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Ferreira Pinto, o mestre

Décadas passadas, receitas de quadros associativos de clubes ajudavam a abastecer deficitários departamentos de futebol. Bons tempos em que os clubes cadastravam em fichários milhares de sócios que usufruíam principalmente das piscinas. Hoje, elas estão esvaziadas. Os usuários migraram para áreas de recreação em condomínios, casas de campo e passaram a frequentar praias com mais frequência.

Até meados da década de 80, o Clube Atlético Juventus, de São Paulo, teve 137 mil associados, número inigualável na América Latina. O complexo está instalado no alto da Mooca, na capital paulista, numa área de 85 mil metros quadrados. A sede administrativa do clube é imponente. São 5 mil metros quadrado de área construidas, distribuídas em seis pavimentos.

Naquele período, o clube foi presidido por um dos mais influentes dirigentes de futebol: José Ferreira Pinto, o Zé da Farmácia, já falecido. Sua voz tinha peso nas reuniões do Conselho Arbitral da Federação Paulista de Futebol e, logicamente, seu Juventus sempre acabava beneficiado quando estava na iminencia de rebaixamento.

Oras, como um clube com uma estrutura social invejável como aquela montava apenas timinhos de futebol? Simples. Os “piscineiros”- sócios do complexo poliesportivo - ainda se dividem em palmeirenses, corintianos e são-paulinos que aproveitam a ótima localização do clube. Assim, ainda hoje, quando o time do Juventus está em campo, no Estádio Conde Rodolpho Crespi - a acanhada Rua Javari -, apenas as costumeiras testemunhas arriscam tímidos aplausos aos jogadores.

Curioso é que mesmo montando equipes modestas, ao longo dos anos, o Juventus “pregava” surpresas nos chamados grandes clubes, e por isso recebeu o carinhoso apelido de “Moleque Travessos”. Lembram-se de Ataliba? Era um ponteiro-direito catimbeiro, veloz e imprevisível. Tanto perdia gols feitos, como também fazia outros de raríssima beleza.

No século passado, grandes jogadores defenderam o Juventus. Júlio Botelho, o Julinho, foi um deles. Oberdã, Félix, Miguel, Pinga e Rodrigues também passaram pela Rua Javari.

O “Moleque Travesso” conquistou o título da Taça de Prata de 1983 - atual série B do Campeonato Brasileiro -, ao ganhar do CSA (Centro Sportivo Alagoano) por 1 a 0 no Estádio do Parque São Jorge, com gol de pênalti do volante Paulo Rodrigues. O técnico era Candinho e o time contava com Carlos; Nelsinho Batista, Deodoro, Nelsinho e Bisi; César, Gataozinho e Paulo Martins; Sidnei (Ilo), Bira e Cândido (Mário).

A história do Juventus começou a ser contada em 20 de abril de 1924 por funcionários do Contonifício Rodolpho Crespi com o nome Extra São Paulo. Em 1928, a primeira mudança para Contonifício Rodolpho Crespi Futebol Clube. Só em 1930 se transformou em Clube Atlético Juventus.

Três anos depois, com o advento do priofissionalismo, o nome foi trocado mais uma vez: Clube Atlético Fiorentino, campeão do Campeonato Amador de São Paulo de 1934. E como os dirigentes decidiram aderir ao profissionalismo em 1935, o time voltou a ser identificado como Clube Atlético Juventus.

A exemplo de Ferreira Pinto, décadas passadas surgiam aos montes voluntários no futebol. Antonio Soares Calcada, presidente de honra do Vasco da Gama, esteve ligado ao clube cruzmaltino durante 40 anos.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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