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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Narciso, exemplo de superação

Vinte e sete de setembro é um dia especial para o ex-zagueiro Narciso, do Santos. Por se tratar do Dia Nacional do Doador de Órgãos, ele terá motivos de sobra para repetir sua heróica história de perseverança ao vencer a leucemia mielóide crônica.

A doença foi diagnosticada em 2000 e, na ocasião, os médicos projetaram que ele teria de 30% a 40% de chances de sobreviver. Ainda bem que erraram. O então zagueiro foi curado após um transplante de medula óssea e ainda voltou a jogar futebol profissionalmente no Peixe, três anos depois. E, por gratidão a benção recebida, promove jogos beneficentes para doação de alimentos à Nacac (Núcleo de Amparo a Crianças e Adultos com Câncer), Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e Lar Santo Expedito, entidades de Santos.

O transplantado é monitorado pelo resto de sua vida, e isso implica em laço estreito com a equipe médica que o assistiu. Por isso, neste 27 de setembro, pacientes e doutores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) participam de uma “pelada” de confraternização no pesqueiro do empresário de futebol Dalécio Pastor, em Campinas. Pastor é um transplantado de fígado e lamenta o preconceito do brasileiro para doação de órgãos. “Só 6% de nossa população aceita doar, contra 16% dos Estados Unidos e 36% da Espanha”, comparou o anfitrião, que convidou Narciso para o evento.

Evidente que qualquer transplantado fica mais debilitado e, conseqüentemente, exposto a enfermidades. No caso específico de Narciso, não foi especificamente o transplante que pesou na decisão de encerrar a carreira de jogador, em 2004. O fato de só esquentar o banco de reservas, com o treinador Vanderlei Luxemburgo, tirou-lhe a motivação. Em seis meses, após a cirurgia, jogou só cinco vezes.

Foi o Santos, também, quem lhe abriu as portas para ingressar na função de treinador, inicialmente como auxiliar do técnico Márcio Fernandes na categoria de juniores, e agora efetivado na função com a promoção de Fernandes à equipe principal.

Requisitado freqüentemente para palestras a pessoas vitimadas por doenças graves, Narciso narra sua história de superação e consegue estimular pacientes. Conta que jogou no Santos durante cinco anos, e que pendurou as chuteiras aos 31 anos de idade. Cita que, no auge da carreira, quis o destino que passasse por aquela provação, ocasião em que contou com a solidariedade da esposa Miradeide. Foi o período de sessões de quimioterapia até o transplante.

Como jogador, a história deste sergipano de Neópolis, nascido em dezembro de 1973, começou no Corinthians de Alagoas. A primeira experiência no futebol paulista foi no Paraguaçuense. Depois, transferiu-se para o Santos, passou rapidamente pelo Flamengo, por empréstimo, e, mais experiente, não estranhou adaptação à função de volante.

Narciso foi medalha de bronze com a seleção olímpica do Brasil em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, e atuou oito vezes na seleção principal do País, entre 1995 e 1998. A mais gratificante experiência como jogador foi no time santista de 1995, vice-campeão brasileiro, formado por Edinho; Marquinho Capixaba, Ronaldo Marconato, Narciso e Marcos Adriano; Carlinhos, Giovanni, Robert e Jamelli; Camanducaia e Marcelo Passos. O Botafogo (RJ) foi campeão.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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