www.camisa12.com.br
Balaco Baco
Alto da Côrte
Fundo do Poço
Fora da Área
Vez do Torcedor
Campeonatos
Dra. Idê
Ilustre Convidado
Colunas
Dentro do Baú
Conte pra Gente
Quem Somos
Fim da Internet
 


 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Boiadeiro, agora no pasto

Foi no grande Cruzeiro, do início da década de 90, que o meio-campista Marco Antônio Boiadeiro atingiu o auge da carreira. E a recompensa foi a convocação à Seleção Brasileira do técnico Carlos Alberto Parreira em 1993, para o Torneio US Cup nos EUA e Copa América no Equador. Boiadeiro atingiu a quinta partida no selecionado contra a Argentina jamais imaginando que o mundo desabaria sobre ele, na semifinal. É que na definição através de pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal, desperdiçou uma cobrança e o Brasil voltou para casa, enquanto a Argentina foi campeã com a vitória na final sobre o México, por 2 a 1.

Hoje, com 43 anos de idade, completados em 13 de junho passado, Boiadeiro conta essa e muitas outras histórias registradas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais aos novos amigos de Monte Aprazível, cidade paulista onde está radicado, e faz uma das coisas que mais gosta: cuidar de gado. Ali tem tempo de sobra para soltar a voz em músicas sertanejas. Na década de 80, a dupla Chitãozinho e Xororó testemunhou seu ritmo afinado quando se conheceram em Campinas.

A rigor, o apelido de Boiadeiro se justifica porque no lombo de um cavalo conduzia a boiada com eficiência nos pastos de Américo Campos, cidade paulista onde nasceu. E usava traje a caráter: bota de fivela, chapéu, calça apertada e cinturão. Foi assim que apareceu no Estádio Santa Cruz, do Botafogo de Ribeirão Preto (SP), para participar de um treino peneira, e orgulha-se de ter sido o único aprovado de uma leva de 39 garotos, em meados da década de 80.

Começava ali uma trajetória vitoriosa. No time principal do Botafogo juntou-se aos também novatos Raí e Peu, e ao experiente Mário Sérgio, em 1985. No ano seguinte, participou da campanha do Guarani no Campeonato Brasileiro, com perda do título na decisão através dos pênaltis, contra o São Paulo, em Campinas, após empate em 3 a 3 no tempo normal e prorrogação. E quis o destino que Boiadeiro perdesse um dos pênaltis cobrados pelo time bugrino.

No Vasco, a partir de 1989, Boiadeiro comemorou em alto estilo o primeiro título da carreira, na vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, com gol de Sorato. O Vasco tinha um timão. Bebeto, que havia saído do Flamengo, juntou-se a Sorato, Boiadeiro, Luís Carlos Vinck, Mazinho e Bismarck, entre outros. Na ocasião, dos 71.552 pagantes, cerca de 25 mil eram vascaíno que invadiram o Estádio do Morumbi.

No Cruzeiro, desde 1991, Boiadeiro acostumou-se com títulos. Foi bicampeão da Supercopa da Libertadores da América 91/92 e campeão da Copa do Brasil em 93. No primeiro ano em Minas, sob o comando do técnico Ênio Andrade, já falecido, integrou o time formado por Paulo César Borges; Nonato, Paulão, Adilson Batista e Célio Gaúcho; Ademir, Marco Antônio Boiadeiro e Luiz Fernando (Macalé); Mário Tilico, Charles e Marquinhos. Na goleada por 3 a 0 sobre o River Plate, da Argentina, naquela final do dia 20 de novembro, o público no Estádio do Mineirão foi de 67.279 pagantes.   

O desempenho no Cruzeiro refletiu em bons contratos no Flamengo, Corinthians e Atlético (MG), porém com rendimento aquém do esperado. E a fase decadente continuou no América (MG), Anápolis (GO), Rio Branco e União Barbarense, equipes do interior de São Paulo, até que em 2000 trocou a bola pela fazenda.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br  

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

Envie pra um amigo...

Leia mais...

Índice

Próximo Artigo:  22/09/08 - Narciso, exemplo de superação
Este Artigo:  15/09/08 - Boiadeiro, agora no pasto
Artigo Anterior:  08/09/08 - Lima, o coringa inigualável

 
 
Copyright © 2001-2011 Camisa 12 - Todos os direitos reservados