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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

Reminiscências
 

Kanu, carrasco brasileiro

O foco esportivo é a Olimpíada na China e um dos personagens que marcou história nesses jogos foi o nigeriano Nwankno Kanu, carrasco do selecionado olímpico de futebol masculino do Brasil em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, ao marcar o gol que sepultou os sonhos dos comandados pelo técnico Mário Lobo Jorge Zagallo, na chamada “morte súbita”. A equipe brasileira era tida como uma das favoritas naquela competição. Além dos então garotos Dida, Roberto Carlos, Flávio Conceição e Juninho Paulista, ela contava com o zagueiro Aldair, meia Rivaldo e atacante Bebeto, entre os três atletas com idade superior a 23 anos, permitidos pelo regulamento.

O africano Kanu desequilibrou naquela partida válida pela fase semifinal, com vitória da Nigéria por 4 a 3, na prorrogação. O Brasil vencia por 3 a 1 no primeiro tempo, com dois gols de Flávio Conceição e outro de Bebeto, enquanto Roberto Carlos (contra) havia anotado o gol da Nigéria.

Inesperadamente, no segundo tempo, o time africano cresceu em campo. Com gols de Ikpeba e Kanu chegou ao empate e provocou a prorrogação. Aí, Kanu jogou um “balde de água fria” nos brasileiros, com o gol que determinou o encerramento da partida e adiou o sonho do ouro olímpico.

Kanu era desconhecido dos brasileiros, mas já fazia sucesso na Europa. Um ano antes havia sido campeão europeu e mundial pelo Ajax, da Holanda, fato que despertou interesse da Inter de Milão, que o levou para a Itália.

Tudo ia bem até pouco depois do título olímpico conquistado sobre a Argentina, na vitória por 3 a 2, quando os médicos diagnosticaram anormalidade na válvula aórtica do coração. Logicamente entrou em pânico após ter sido alertado sobre a possibilidade reduzida de voltar a jogar futebol. Ele não admitia encerrar precocemente a carreira, e topou o desafio de se submeter à delicada cirurgia nos Estados Unidos.

Depois de quatro horas na mesa de operação, o atacante cumpriu rigorosamente as indicações para se restabelecer e, em menos de um ano, estava de volta ao futebol. A reestréia ocorreu no dia 27 de julho de 1997, quando substituiu o atacante chileno Ivan Zamorano no final da partida entre Milan e Manchester. Aqueles nove minutos em campo serviram para emocioná-lo bastante. Aí, voltou a normalidade, sem qualquer risco de afastamento dos gramados.

Dois anos depois se transferiu para o Arsenal, da Inglaterra, e posteriormente, ainda naquele país, passou a jogar pelo Portsmouth. Ali, indiscutivelmente, um dos momentos marcantes da carreira foi a conquista do título da Copa da Inglaterra, exatamente no último dia 17 de maio. Seu time venceu a finalíssima por 1 a 0 sobre o Cardiff City, de País de Gales, e ele foi o autor do gol.

Recentemente Kanu foi oferecido ao Flamengo, mas preferiu renovar contrato com o Portsmouth, que não conquistava a Copa da Inglaterra havia 68 anos.

O futebol inglês oferece contratos milionários a jogadores e membros de comissões técnicas. Logo, o africano não trocaria uma gratificação semanal equivalente a R$ 148 mil por valor bem inferior que supostamente o clube carioca lhe ofereceria.

Kanu, que esbanja uma Ferrari e mansão na Grã-Bretanha, torra dinheiro sem controle. Segundo informações, recentemente teve que vender dois veículos Audi para quitar débitos com banco.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br                     

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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