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 Ariovaldo Izac
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Reminiscências
 

Grapete e Kafunga, histórias

Na comemoração do centenário do Atlético Mineiro, em março passado, foram registradas homenagens ao inesquecível centroavante Reinaldo - o melhor jogador de todos os tempos do clube -, e, com justiça, lembraram de ídolos como o goleiro Taffarel, zagueiro Luizinho, volante Toninho Cerezo e ponteiro-esquerdo Éder, entre outros.

Evidentemente que o trabalho de seis anos consecutivos do técnico Telê Santana (já falecido) no clube foi citado. Foi durante aquele período, precisamente em 1971, que o Galo conquistou o único título brasileiro, com time formado por Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair; Vanderlei Paiva e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. No triangular decisivo, o Galo ganhou do São Paulo por 1 a 0, no Mineirão, e repetiu o placar contra o Botafogo (RJ), no Maracanã, com gol de Dario.

Já que a badalação ficou para esses “cobras”, que tal recordar um pouco do goleiro Kafunga (já falecido) e do zagueiro Grapete? Oras, se não foram jogadores fantásticos, pelo menos têm histórias curiosíssimas entre as décadas de 30 e 70 do século passado.

Olavo Leite de Barros, o Kafunga, goleiro de 1,75m de altura, vestiu a camisa do Galo entre 1935 e 1954. Naquele período participou de 714 jogos, foi titular absoluto e gabava-se de não tomar “frangos”.

Kafunga, também vereador em quatro legislaturas, ganhou respeito de atleticanos e cruzeirense quando foi comentar futebol na Rádio Itatiaia e TV Alterosa. Era folclórico e criou jargões imortalizados em Belo Horizonte, o principal deles “não tem coré-coré, o gol foi barra limpa”, quando apontava lisura nas jogadas que resultavam em gol. Kafunga morreu no dia 17 de novembro de 1991.

O zagueiro Grapete, campeão brasileiro em 1971, também integrou o selecionado de Minas no jogo amistoso contra o River Plate, da Argentina, na inauguração oficial do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, no dia 5 de setembro de 1965, com vitória mineira por 1 a 0, num time comandado pelo técnico Gerson dos Santos e formado por Fábio; Canindé, Grapete, Bueno e Décio Teixeira; Buglê e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Geraldo) (Noventa), Silvestre (Jair Bala), Tostão e Tião. E vejam que no River jogavam o regularíssimo zagueiro Ramos Delgado e o atacante Artime, que posteriormente passaram por Santos e Palmeiras, respectivamente.

Grapete é uma marca de refrigerante com sabor de suco de uva, muito consumida no passado. E o atleticano ganhou o apelido na adolescência porque seu pai trabalhava no setor de distribuição da bebida. Foi um zagueiro vigoroso que sabia usar bem o corpo para evitar desvantagem nas tentativas de penetrações de atacantes. Acreditem: certa ocasião, locutores da Rádio Continental do Rio de Janeiro, patrocinada pela Brahma, transmitindo jogo do Galo, não o chamavam de Grapete.

Identificavam-no como guaraná, por causa da concorrência.   A carreira do zagueiro se prolongou até 1976, quando ficou impossibilitado de jogar futebol por causa de lesões no joelho. Aí, anos depois, ingressou com ação na Justiça requerendo auxílio-acidente, e conseguiu provar, com base em perícia, seqüelas originárias da atividade como jogador de futebol. Assim, passou a receber mensalmente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) o benefício auxílio-acidente.

Ariovaldo Izac
ariovaldo-izac@ig.com.br            

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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