O chute de Branco
Nílton Santos, Júnior e Branco. Esse trio
marcou época na Seleção Brasileira nos
últimos 50 anos. O gol decisivo marcado por Branco,
na dramática vitória por 3 a 2 sobre a Holanda,
pela semifinal da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos,
jamais será esquecido. O chute rasteiro, forte e indefensável
evitou a indesejável prorrogação e levou
o selecioando brasileiro à final contra a Itália.
Depois, a vibração pelo tetra.
Branco chegou à sua terceira Copa desacreditado por
parte da imprensa e só entrou time devido a expulsão
do titular Leonardo, contra os americanos. Entrou e convenceu.
Eventuais deficiências na marcação eram
compensadas pela técnica apurada e facilidade para
bater na bola. Ele fechou o ciclo de dez anos na Seleção
com um histórico de 70 jogos.
O lateral-esquerdo chegou ao selecionado através do
técnico Telê Santana e participou do time eliminado
logo na segunda fase na Copa de 1986, com a derrota nos pênaltis
para a França, após empate em 1 a 1 no tempo
normal. Eis o time: Carlos; Josimar, Júlio César,
Edinho e Júnior; Elzo, Alemão, Sócrates
e Júnior; Muller e Careca. E a história se repetiu
em 1990, na Itália, quando na segunda fase o time foi
despachado pela Argentina, na derrota por 1 a 0. O time da
época jogava no 3-5-2 e tinha Taffarel; Ricardo Rocha,
Ricardo Gomes e Mauro Galvão; Jorginho, Dunga, Alemão,
Valdo e Branco; Muller e Careca.
Por que o apelido de Branco? Surgiu ainda garoto, quando jogava
no Guarani de Bagé (RS), em meados da década
de 80. Acreditem: ele era o único jogador da raça
branca num time de crioulos. A partir dali, Cláudio
Ibrahin Vaz Leal ficou apenas nome para documentos; a partir
dali começou uma trajetória vitoriosa, com ênfase
na passagem pelo Fluminense a partir de 1982.
Branco participou da era dourada do Fluminense na década
de 80, quando fazia dobradinha com o ponteiro-esquerdo Tato.
No tricampeonato carioca de 1985, o time era formado por Paulo
Vitor; Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir,
Delei e Romerito; Assis, Washington e Tato. A equipe ganhou
do Bangu, de virada, por 2 a 1.
Um ano antes, o Tricolor havia conquistado o título
brasileiro, revivendo períodos históricos como
de 1963. Na época, o Flu tinha uma ‘baita’
time e saudosistas ainda lembram o incrível gol perdido
pelo atacante Escurinho, com o goleiro Marciel, do Flamengo,
caído. Conclusão: o jogo terminou empatado e
o ‘Mengão’ ficou com o título, em
jogo entre clubes marcado por recorde de público no
Maracanã: mais de 178 mil pagantes.
Outra fase áurea do Fluminense foi em 1969, coincidentemente
na estréia de Telê Santana como treinador. O
time foi à forra em outro Fla-Flu, na final de Campeonato
Carioca, e ganhou por 3 a 2. Na ocasião, o jornalista
e dramaturgo Nelson Rodrigues – já falecido –
lembrou que ali estavam todos os torcedores do Fluminense,
vivos ou mortos, abandonando as sandálias da humildade
para chorarem de felicidade total.
Branco ainda vestiu as camisas de Porto, Brescia (Itália),
Flamengo, Corinthians e Metrosfars (EUA). Quando parou de
jogar já era proprietário de um depósito
de material de construção no Rio de Janeiro
e empresário no Rio Grande do Sul. O ex-jogador goza
de muito prestígio na CBF e desempenha a função
de coordenador das categorias de base da Seleção
Brasileira.
Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br |