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 Ariovaldo Izac
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Reminiscências
 

Toninho Guerreiro, o goleador

Quando você ouvir a 'treinadorzada' reclamar da falta de atacante 'matador', quando comentaristas de futebol dissertarem sobre incríveis gols perdidos, sugira que mostrem aos boleiros teipes com gols do atacante Toninho Guerreiro, já falecido.

Esse bauruense tinha invejável frieza para enfrentar goleiros, a danada da bola sempre o procurava no interior da área adversária, e ele ficava feliz quando surgia a oportunidade de completar a jogada. Aí, o chute era invariavelmente fraco, porém sempre fora do alcance dos goleiros. "Prefiro fazer gols dentro da área. Fora dela, prefiro os bons passes", costumava explicar. E nada de comemorações exageradas. Sarcástico, Toninho preferia debochar da desolação de zagueiros e goleiros adversários.

A especialidade para conclusão de jogadas o projetou como quarto principal artilheiro na história do Santos, com 283 gols em 373 partidas, durante os sete anos de Vila Belmiro.

No Santos, Toninho foi superado apenas por Pelé, Pepe e Coutinho, que marcaram 1091, 405 e 370 gols, respectivamente. Na temporada de 1968, por exemplo, o bauruense marcou 76 gols, média de 1,055 por jogo.

O apelido de 'guerreiro' se justificava porque brigava pela posse da bola como um faminto por um prato de comida. Aliava-se a isso a boa condição técnica, facilidade para proteger a bola e incrível visão de gol.

Após passagem relâmpago pelo Noroeste de Bauru (SP), Toninho Guerreiro chegou ao Santos em 1963 como substituto de Coutinho, e foi se habituando a conquista de títulos. Em 1965, quebrou a hegemonia de Pelé e foi artilheiro do Paulistão, com 24 gols. Também entrou para história do futebol paulista como único jogador a ostentar a condição de pentacampeão, de 1967 a 71, sendo os primeiros três anos pelo Santos e dois pelo São Paulo.

O ciclo de Toninho Guerreiro no Santos foi encerrado em 1969. Na temporada seguinte se incorporou ao fantástico elenco do São Paulo, comandado pelo estrategista Zezé Moreira, que saiu da fila de títulos
após 13 anos de jejum. O Tricolor da época contava com Sérgio; Furlan, Jurandir, Dias e Gilberto Sorriso; Edson Cegonha e Gérson; Paulo, Terto, Toninho Guerreiro e Paraná.

Quando os gols rarearam no Morumbi, Toninho se transferiu para o Flamengo, mas bastaram quatro jogos para 'pular fora do barco', com a justificativa que não havia se adaptado no Rio de Janeiro. Na época, teve
problemas familiares, começou a fumar e beber, e se transformou num atacante comum. Isso pôde ser atestado na passagem pelo Operário (MS) e Noroeste, onde encerrou a carreira, em 1975.

Fora da bola, Toninho ficou um 'balofo', contrastando com a imagem daquele magrelão dos tempos de Santos. E pode-se dizer que o atacante foi um dos maiores injustiçado na Seleção Brasileira, ao ficar de fora da Copa de 1970, no México.

Motivo do corte? Uma brincadeirinha de mau gosto. Alegaram que tinha sinusite. Foi uma arataca para agradar ao intruso presidente da República Garrastazu Médici, que na época exigiu a convocação de Dario. "Sinusite? Que raio de doença é essa que não conheço", reagiu com indignação Toninho Guerreiro, morto em 26 de janeiro de 1990, aos 48 anos de idade, vítima de derrame cerebral.

Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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