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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reminiscências
 

São Paulo e os 'gringos'

Historicamente, o São Paulo mostra que é um dos clubes brasileiros que mais importa jogadores da América do Sul. Os exemplos remontam a década de 40, quando o argentino José Poy (já falecido) 'trancou' o gol, e se estendem até agora.

Em dezembro de 1945, atuando pelo Rosário Central, Poy fez defesas espetaculares no empate por 2 a 2, em partida amistosa contra o Tricolor, na capital paulista, e os cartolas são-paulino se apressaram em contratá-lo.

Na época, o então goleiro tinha 19 anos e fez companhia para outro argentino, caso de Lopes, atacante vindo do Ypiranga, clube paulista já extinto.

Poy radicou-se definitivamente no Brasil e, quando parou de jogar, foi efetivado como treinador do clube.

Até treinadores o São Paulo buscava lá fora. Em 1953, trouxe Jim Lopes, um argentino que preferiu guardar na gaveta o diploma de economista para se transformar num estudioso do futebol. Jim Lopes melhorou o 4-2-4 criado pelo técnico Martins Francisco, no Vila Nova de Nova Lima (MG), e aplicado com sucesso pelo paraguaio Freitas Solich na seleção de seu país, na Copa América de 1953.

Cartolas do São Paulo foram aplaudidos em 1957 pela contratação do técnico Bella Gutmam, um húngaro com jeitão de filósofo, que exigia a valorização da posse de bola de seus jogadores. E o resultado disso foi a conquista do título do Campeonato Paulista daquela temporada.

Em 1970, chegou ao Morumbi o 'botinudo' Pablo Justo Forlan Lamarque, um uruguaio alto, magro e de cabelos compridos. O bocudo Forlan desentendeu-se com o meia Gerson no primeiro treino e deixou claro que cobraria raça dos jogadores até em treinos.

Desde os tempos de Peñarol, do Uruguai, Forlan era o típico lateral-direito 'carrapato' na marcação. E quando não desarmava o adversário, batia sem dó, matando a jogada, principalmente nos primeiros cinco minutos de partida, quando os árbitros preferiam a advertência verbal ao cartão amarelo. Forlan intimidava ponteiros-esquerdos ariscos como Nei, do Palmeiras, e esse estilo carrasco resultou no apelido de 'Caveira Simpático'.

Forlan voltou ao Uruguai em 1975 e, quando parou de jogar, enveredou para o grupo de empresários de futebol.

Os uruguaios caíram na graça da torcida são-paulina, nas décadas de 70 e 80. O meia Pedro Virgílio Rocha foi um ' baita' jogador. Pegava bem na bola de média e longa distância e explorava a boa estatura para fazer um monte de gols de cabeça. Rocha, que precisou de um ano para se adaptar no Tricolor, foi companheiro de Forlan.

Em 1977, a torcida são-paulina começou a aplaudir o uruguaio Dario Afonso Pereyra Bueno, na época com 21 anos de idade, que veio do Nacional de Montevidéu. Dario Pereyra era meia-esquerda e também enfrentou problema de adaptação. Foi preciso o técnico Rubens Minelli remanejá-lo à quarta zaga, para que achasse sua real posição.

Chilenos também marcaram passagens com sucesso pelo São Paulo. Há 20 anos, o goleiro era Rojas, hoje um especialista na orientação de jogadores de sua posição, no mesmo Tricolor. Recentemente, o volante Maldonado - outro chileno - também vestiu a camisa são-paulina, que também foi ocupada pelo atacante Aristzábal, da Colômbia.

Como se vê, os gringos se identificam facilmente com o São Paulo. É coisa incorporada à cultura do futebol.

Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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