"Super
Zé", o guerreiro
Quem diz que é corintiano tem que, por obrigação,
saber de cór e salteado esta escalação:
Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir Gonçalves
e Wladimir; Ruço, Luciano e Basílio; Waguinho,
Geraldão e Romeu Cambalhota. Podem acrescentar nesse
time o décimo segundo jogador: o mineiro Palhinha.
Esse time quebrou um jejum de 23 anos sem títulos ao
conquistar o Campeonato Paulista de 1977, na final contra
a Ponte Preta, no Estádio do Morumbi. E sabem como
foi iniciada a jogada do gol do título? Zé Maria,
o "Super Zé", cobrou a falta e, no desdobramento
da jogada, Basílio foi pra galera.
Zé Maria, que em maio vai completar 55 anos de idade,
foi mais dos "boleiros" de infância sofrida.
Natural de Botucatu, interior de São Paulo, chegava
ao campo da Ferroviária local super aquecido para os
treinos nas categorias de base, em 1964. Afinal, andava sete
quilômetros a pé, até que o seu pai comprou
uma bicicleta.
Olheiros do futebol logo constataram o vigor físico
daquele crioulo quando
roubava a bola do adversário e saía em velocidade
ao ataque. Observavam, também, que dificilmente ele
era driblado e, por isso, sequer deixaram que estagiasse no
time principal da Ferroviária de Botucatu. Em 1966,
levaram-no para a Portuguesa e durante pouco mais de três
anos o torcedor luso se identificou com o espírito
guerreiro do lateral-direito.
Cartolas do Corinthians estavam convictos que Zé Maria
era a própria cara do Timão e toparam travar
uma batalha na Justiça comum para levá-lo ao
Parque São Jorge, em 1970. Foi um período em
que passes de jogadores eram fixados com base nos salário
recebidos nos últimos anos e o Corinthians depositou
o valor calculado em juízo.
Valeu o sacrifício de ambos os lados. Zé Maria
e Corinthians foi um casamento perfeito, que começou
em 11 de novembro - na derrota para o Grêmio por 1 a
0 - e se estendeu por 13 anos, quando, já na reserva
de Alfinete, José Maria Alves Rodrigues topou ser técnico
tampão do time em dez jogos, ainda no ano de 83.
A rigor, Zé Maria foi submetido a um teste de aptidão
como comandante de grupo e mostrou que não levava jeito
para a coisa. Nem por isso ficou fora da bola. Engajou-se
no projeto de escolinha de futebol da Febem
(Fundação do Bem-estar do Menor) e tem dado
sua contribuição para transformar menor delinqüente
em apaixonado pelo futebol. Essa molecada conhece e respeita
o currículo do professor, que em 1970 foi reserva de
Carlos Alberto Torres na Copa do Mundo do México, que
em 1974 foi um dos poucos aplaudidos no regresso da Seleção
Brasileira da Alemanha, após o fracasso naquele Mundial,
e que quatro anos depois só não integrou o time
canarinho na Argentina porque se contundiu pouco antes da
competição.
Esse histórico, recheado com os títulos paulista
de 77, 79, 82 e 83 o colocam, obviamente, como o mais bem
sucedido de uma família de atletas. Paradoxalmente,
duelou com o irmão Tuta, ponta-esquerda velocista da
Ponte, na disputa do título paulista de 77. O outro
irmão, Marco Antonio, teve passagem discretíssima
pelo futebol.
Zé Maria está atento a tudo que acontece no
futebol. Reserva as noites de domingos para assistir o programa
de televisão de Milton Neves, na TV Record, e, antes
disso, acompanhava a Mesa Redonda da TV Gazeta, nos tempos
que era apresentada por Milton Peruzzi.
Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br |