Leandro,
um baita lateral
Mestre Telê Santana, no alto de sua sabedoria, um
dia ousou não comparar o então lateral-direito
Leandro, ex-Flamengo e Seleção Brasileira, com
nenhum outro da posição, na história
do futebol brasileiro. "Foi o melhor que eu vi jogar".
Ah, e o monstro sagrado Carlos Alberto Torres?, questionarão
muitos, que o consideram inigualável na posição
pela facilidade de tocar na bola, alto índice de acerto
nos passes e eficiência na marcação.
Em vez de fazer comparações, Telê preferia
realçar o excelente domínio de bola de Leandro;
velocidade na passagem ao ataque; lucidez para definir jogadas
quer no fundo no campo, quer entrando por dentro; o bom passe
e, por fim, a mostragem de um lateral que sabia desarmar adversários
sem recorrer ao artifício das faltas.
Em março, José Leandro Souza Ferreira vai completar
45 anos de idade e hoje se ocupa no ramo empresarial com a
"Pousada Leandro", em Cabo Frio - sua cidade natal
-, ou no bairro Ipanema, no Rio de Janeiro, administrando
a "Central de Cópias Digitais".
Na roda de amigos, Leandro sempre destaca o período
de glória no Flamengo, única camisa de clubes
que vestiu na carreira de 1978 a 1990, com histórico
de 411 jogos, 236 vitórias e 14 gols marcados. E boas
histórias não faltam.
Jogou num time de "cobras" como Júnior, Adílio,
Andrade, Zico, Lico e Bebeto - entre outros -, e se gaba ter
sido campeão mundial em Tóquio, em 1981. E quando
as pernas arqueadas já estavam cansadas e o joelho
"baleado" travava suas arrancadas, copiou com sucesso
exemplos de laterais que se adaptaram à zaga central,
como o próprio Carlos Alberto Torres.
O tempo certo da bola, facilidade para o desarme, elegância
e perfeito
domínio fizeram com que torcedores da velha guarda
do Flamengo o comparassem ao lendário Domingos da Guia.
Claro que um jogador com esses requisitos teria uma cadeia
cativa na
Seleção Brasileira e Leandro teve. Fez parte
daquele timaço de Telê Santana na Copa do Mundo
da Espanha, em 1982, e só deixou de ir ao Mundial do
México, em 1986, porque quis. Abandonou a Seleção
as véspera do embarque por solidariedade ao amigo Renato
Gaúcho, que havia sido cortado.
Seguinte: ambos fugiram da concentração para
se deliciar em noitada
mineira e Telê preferiu cortar apenas Renato, por indisciplina.
Aí Leandro
'esnucou' o técnico: "Ou perdoa os dois ou também
vou embora". E foi.
Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br |