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 Ariovaldo Izac
  Jornalista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reminiscências
 

Dadá, gols e histórias

O frasista Dadá Maravilha avisou aos navegantes que "para toda problemática, eu tenho a solucionática". É dele, também, a sacada "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".

Frase por frase, Dario José dos Santos, 58 anos de idade, 545 gols numa carreira de 22 anos, fala de si mesmo na terceira pessoa do singular e criou essa pérola: "Só três coisas param no ar: helicóptero, beija-flor e Dadá".

Exagero à parte, Dadá saltava 80cm parado e mais de um metro correndo. Por isso era dono da área e se notabilizava pelos gols de cabeça. E sabem qual o segredo para a incrível impulsão? "Pulava muro com invejável facilidade quando fugir da polícia na infância", revela.

Essas fugas eram decorrentes da vida de menor delinqüente que levava, que custou detenção em unidade prisional para menores no Rio de Janeiro, sua cidade natal.

Apesar da delinqüência, felizmente Dadá gostava de futebol e arriscou o
último assalto só para comprar uma bola e não ser relegado pela molecada de Marechal Hermes. "O dono da bola não podia ficar de fora da pelada e assim aprendi a fazer os meus golzinhos".

O Campo Grande foi a porta de entrada para Dadá no futebol, após ter sido dispensado pela maioria dos clubes carioca nos testes submetidos. Aos 21 anos, foi levado ao Atlético (MG) e desandou a fazer gols, mesmo com seu estilo desengonçado.

Aí começou um novo capítulo do atacante Dario, órfão de mãe ainda criança. Parte considerável da imprensa do País cobrava sua convocação à Seleção Brasileira para a Copa de 70 e, o então técnico João Saldanha, avisava que seu time era de toque de bola e não havia lugar para 'perna de pau'.

Coincidência ou não, num amistoso da Seleção com o Atlético, o espirituoso Dadá mandou recado: "Eu vou arrebentar com essa seleçãozinha de merda". Dito e feito. O Galo ganhou por 2 a 1, dois gols de Dada. Aí, a provocativa imprensa mineira questionou o presidente da República, Emílio Médici, sobre o que havia achado do jogo, e a resposta veio em forma de cobrança: "Achei esse rapaz (Dadá) extraordinário".

Pronto. Foi o bastante para instigantes jornalistas comunicarem a
declaração ao técnico Saldanha, que contra-atacou: "Eu escalo a Seleção, o presidente escala o ministério dele".

A língua ferina de Saldanha serviu para cavar sua sepultura na antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Zagallo foi escolhido como
substituto de Saldanha e convocou Dada, que não passou de um turismo no México.

E ai de quem ousasse insinuar que Dadá Maravilha era grosso. A resposta era resumida numa frase: "Eu me preocupo tanto em fazer gols que não tive tempo de aprender a jogar futebol". Gols que o colocaram no Guinnes Book (livro dos recordes), por marcar dez em uma só partida, na goleada do Sport Recife sobre o Santo Amaro, pelo Campeonato Pernambuco, por 14 a 0.

Por fim, do folclórico Dadá, um registro inusitado: a confissão de que se
masturbava antes dos jogos no início de carreira. E a história, ele conta,
começou quando o Campo Grande foi enfrentar o Fluminense nas Laranjeiras.

"Ao olhar para a piscina e ver aquela mulherada quase pelada, fui para o
vestiário e me masturbei. Aí fiquei leve como o vento e fiz os dois gols na vitória nossa por 2 a 1".

Nesta característica naturalidade de revelar fatos, Dadá também confessou que fez sexo, pela primeira vez, aos 22 anos de idade.

Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br

(Ariovaldo Izac escreve esta coluna às Segundas)   

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