Edinho,
um zagueiro invejável
No final do ano de 1989, o então quarto-zagueiro
Edinho anunciou o final
da marcante carreira de jogador, aos 34 anos de idade. Na
época, ele atuava pelo Flamengo e havia se aborrecido
com uma distensão muscular.
Edinho estava deixando a bola por cima. Além do habitual
espírito de
liderança, ainda mantinha a velha garra e a técnica
apurada. Seria sempre lembrado pelas participações
nos Mundiais de 1978, 1982 e 1986, pelos bons tempos de Fluminense,
e por ter gravado o nome no futebol italiano durante seis
anos na Udinese.
É natural que Edinho se gabasse disso e falava de um
encerramento da
carreira com dignidade. "Ao contrário de muito
jogador que está por aí se
arrastando em campo, achei melhor parar agora, embora eu ainda
tenha algum tempo no futebol", dizia, na época.
É, mas a história de Edinho - o carioca Edino
Nazareth Filho - começou a se modificar no início
deste século. Foi acusado de se envolver em emissões
de passaportes falsos e a situação ficou desconfortável
em julho de 2001, quando o juiz francês Nicolas Chareyres
mandou expedir mandado de prisão internacional, devido
a acusação de envolvimento em passaportes falsos
dos atletas Alex Dias e Aloísio, do Saint Etienne.
Antes da decisão extrema, o juiz o convocou para interrogatórios
na
França, mas não havia obtido resposta. Edinho
também é acusado de
envolvimento de passaporte falso para o goleiro Dida, do Milan,
e o juiz
Stefano Corbella pretendia interrogá-lo.
Hoje, Edinho é treinador de futebol, mas durante um
período intermediou
transferência de jogadores brasileiros ao exterior,
uma experiência que
provocou constrangimento.
Por essa e outras, de certo Edinho está entre aquelas
pessoas que querem esquecer rapidamente 2003. No dia 28 de
outubro assumiu o comando técnico do Bahia, com a espinhosa
missão de tentar salvar o time do rebaixamento à
segunda divisão do Campeonato Brasileiro, mas não
conseguiu o objetivo nas sete partidas sob o seu comando.
Diante de situações contrastantes, é
melhor que os desportistas fiquem com a imagem do Edinho lapidado
nas Laranjeiras e que se destacou no time do Fluminense da
década de 70. Foi um período áureo nas
Laranjeiras, numa equipe que tinha Roberto Rivelino, Paulo
César Caju, Carlos Alberto Pintinho e Cafuringa, entre
outros ídolos. Esse time foi bicampeão carioca
em 75/76 e com algumas modificações ganhou o
Campeonato Carioca de 1980, com gol de falta de Edinho, na
finalíssima.
É preferível a lembrança do Edinho reserva
de Amaral na Seleção Brasileira de 1978, na
Copa do Mundo da Argentina; outra vez reserva em Mundial,
na Espanha, do atleticano Luizinho, em 1982; e titular absoluto
no quarteto defensivo formado por Josimar, Júlio César,
Edinho e Júnior, na Copa do México, em 1986.
Edinho foi um zagueiro de velocidade e aproveitava essa característica
para arrancar ao ataque com bola dominada. Também tinha
impulsão invejável e por isso raramente era
batido no jogo aéreo.
Esse estilo encantou os italianos da Unidese, que o levaram
em 1982, e lá o zagueiro pôde jogar ao lado de
Zico.
Então, ficamos assim. Ficamos com o guerreiro e talento
Edinho, na
quarta-zaga.
Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br |