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Wilson do abraço Wilson era um crioulo esguio, bem apessoado, cabelo sempre
bem cortado, aparado, como mandava a boa moda dos anos 60.
Resolveu tentar a sorte no futebol e se deu até muito
bem. Aliás, muito e pouco...
Deu-se otimamente no futebol. Sim, porque jogar mesmo...
Isto não era lá muito com ele não. Mas como
a sorte lhe era exageradamente generosa, acabou se tornando
ponta direita do Paulista de Jundiaí. Isso mesmo, nada
de nome de massa de tomate...
O autêntico Galo do Japi. No meado da década
adivinha quem precisou de um ponta direita para substituir
o irrreverente Dorval? Isso mesmo: o Santos F.C. Sim, porque
Dorval também jogou pelo Juventus no início
da carreira.
O futebol paulista tinha uma coleção de excelentes
ponta-direitas: Joaozinho, Jairzinho, Faustino, Peixinho,
Copeu dentre outros. E não é que a escolha recaiu
ou desabou sobre o elegante, porém pouco inspirado
Wilson do Paulista de Jundiaí?
Pois bem. E lá foi Wilson para a Vila Belmiro se encontrar
com verdadeiros idolos seus também. Jogadores a quem
Wilson talvez só conhecesse pelas figurinhas ou fotografias
de jornais. Mesmo porque jogar em Santos o Paulista só
ia para enfrentar o Jabaquara ou a Portuguesa Santista. E
que o time disputava a 2.ª Divisão.
Com a contusão de Dorval e a chegada de Wilson o ataque
do Santos F.C. passou a ser o seguinte: Wilson, Mengalvio,
Coutinho, Pelé e Pepe. E pensar que Dorval ficaria
pelo menos 6 meses sem jogar bola...
Era o tempo que Wilson iria ser o dono da camisa 7 de Dorval.
Passeios, vida noturna de Santos, as famosas viagens ao exterior
que o Santos fazia mensalmente, o convivio com colegas que
até então Wilson só admirava...
Um verdadeiro conto de fadas. Como jogar bola não era
seu forte e seus companheiros eram genios da bola, Wilson
tinha que encontrar uma forma de ser útil ao time.
E encontrou...
A cada gol do Santos, que nunca eram inferior a quatro ou
cinco por jogo, ele se ocupava por longos minutos em abraçar
seus colegas e ficava muito feliz...
Daí ganhou o curioso apelido de "Wilson do abraço"!
Era o que ele sabia fazer de melhor!
João Carlos de Freitas
Comentarista Esportivo
21/06/02
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