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 João C. de Freitas
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Wilson do abraço

Wilson era um crioulo esguio, bem apessoado, cabelo sempre bem cortado, aparado, como mandava a boa moda dos anos 60. Resolveu tentar a sorte no futebol e se deu até muito bem. Aliás, muito e pouco...

Deu-se otimamente no futebol. Sim, porque jogar mesmo... Isto não era lá muito com ele não. Mas como a sorte lhe era exageradamente generosa, acabou se tornando ponta direita do Paulista de Jundiaí. Isso mesmo, nada de nome de massa de tomate...

O autêntico Galo do Japi. No meado da década adivinha quem precisou de um ponta direita para substituir o irrreverente Dorval? Isso mesmo: o Santos F.C. Sim, porque Dorval também jogou pelo Juventus no início da carreira.

O futebol paulista tinha uma coleção de excelentes ponta-direitas: Joaozinho, Jairzinho, Faustino, Peixinho, Copeu dentre outros. E não é que a escolha recaiu ou desabou sobre o elegante, porém pouco inspirado Wilson do Paulista de Jundiaí?

Pois bem. E lá foi Wilson para a Vila Belmiro se encontrar com verdadeiros idolos seus também. Jogadores a quem Wilson talvez só conhecesse pelas figurinhas ou fotografias de jornais. Mesmo porque jogar em Santos o Paulista só ia para enfrentar o Jabaquara ou a Portuguesa Santista. E que o time disputava a 2.ª Divisão.

Com a contusão de Dorval e a chegada de Wilson o ataque do Santos F.C. passou a ser o seguinte: Wilson, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe. E pensar que Dorval ficaria pelo menos 6 meses sem jogar bola...

Era o tempo que Wilson iria ser o dono da camisa 7 de Dorval. Passeios, vida noturna de Santos, as famosas viagens ao exterior que o Santos fazia mensalmente, o convivio com colegas que até então Wilson só admirava...

Um verdadeiro conto de fadas. Como jogar bola não era seu forte e seus companheiros eram genios da bola, Wilson tinha que encontrar uma forma de ser útil ao time. E encontrou...

A cada gol do Santos, que nunca eram inferior a quatro ou cinco por jogo, ele se ocupava por longos minutos em abraçar seus colegas e ficava muito feliz...

Daí ganhou o curioso apelido de "Wilson do abraço"!

Era o que ele sabia fazer de melhor!


João Carlos de Freitas
Comentarista Esportivo
21/06/02

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