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Dérbi... o maior clássico
do interior do Brasil
O "Dérbi Campineiro" é o maior clássico do interior
do Brasil. A A.A. Ponte Preta e o Guarani F.C. estão entre
os maiores times do país. Qualquer ranking que se faça do
futebol brasileiro, considerando-se aí as competições nacionais
e mesmo internacionais (já que o Guarani F.C. disputou a Taça
Libertadores da América também, apesar da A.A. Ponte Preta
não), as equipes campineiras aparecem facilmente entre os
vinte ou trinta maiores clubes do Brasil.
Depende dos critérios estabelecidos para a construção do
ranking. E nunca teremos um ranking totalmente "justo"
ou perfeito.
O ranking do jornal diário impresso Lance!, por exemplo,
leva em consideração o desempenho imediato (ou nem tanto)
dos clubes, o que explica muitas vezes a posição desastrosa
de um time tradicional, como o Guarani F.C.. Não leva em consideração
o desempenho ao longo da história. Por isso, o A.D. São Caetano
deverá ser o primeiro do ranking em breve, e com justiça diga-se
de passagem.
Mas na história, certamente o time de São Caetano do Sul
ficaria distante de muitas equipes tradicionais. Volta a estar
na ponta se considerarmos uma média do seu desempenho, já
que é um clube novo e com excelentes campanhas nesses poucos
anos de vida. Mas, e daqui a 50 anos? O que será do A.D. São
Caetano? Voltemos aos times de Campinas.
E se desconsiderarmos os "doze gigantes" do nosso
futebol, os times campineiros acabam ocupando uma destacada
posição entre provavelmente os quinze melhores times do país.
Quem são os doze? Simples: S.C. Corinthians Paulista, S.E.
Palmeiras, São Paulo F.C. e Santos F.C. de São Paulo (e Santos);
C.R. Flamengo, Fluminense F.C., Botafogo F.R. e C.R. Vasco
da Gama, do Rio de Janeiro; C. Atlético Mineiro e Cruzeiro
E.C., de Belo Horizonte; e S.C. Internacional e Grêmio F.P.,
de Porto Alegre.
Não há como negar, basta analisarmos suas respectivas histórias
e patrimônios. Desses gigantes, costuma-se chamar apenas um
dos clássicos de "dérbi", o confronto entre S.C.
Corinthians P. X S.E. Palmeiras, que foi assim batizado pelo
jornalista Thomaz Mazzoni do jornal diário A Gazeta, no final
dos anos 20 e início dos anos 30.
E mesmo assim, "saiu de moda" se referir a esse
tradicional clássico dessa forma, talvez porque existam na
capital e em Santos outros dois times que dividem a "maior"
rivalidade paulista. Assim, não é exagero dizer que o único
clássico brasileiro chamado de "dérbi" efetivamente
hoje é o encontro entre os times de Campinas. O "dérbi"
até aparece esporadicamente para designar alguns embates locais.
Mas "dérbi", sendo sempre assim chamado, só o de
Campinas, o maior clássico do interior do Brasil. E passou
a ser assim chamado logo no início dos anos 30, pelo jornal
diário Correio Popular, logo após portanto do clássico paulistano.
A rivalidade de Ponte Preta e Guarani tem início logo na
segunda década do século passado. A Ponte Preta, fundada em
11 de agosto de 1900, e o Guarani, fundado em 2 de abril de
1911, realizaram seu primeiro jogo no dia 24 de março de 1912,
no antigo Campo da Vila Industrial. O resultado da partida
é desconhecido, embora os pontepretanos afirmem, claro, que
os alvinegros venceram a peleja por 1 a 0, gol de Lopes.
O quarto encontro entre os times não deixou a menor dúvida
de que a rivalidade acabara de nascer, para nunca mais morrer.
Foi no dia 23 de agosto de 1914, no Campo de Sousas. Era uma
partida amistosa, que fora muito promovida e divulgada na
época. O Guarani venceu o rival por 2 a 0. Mas o que mais
chamou a atenção foi uma enorme briga de torcidas que tomou
conta das ruas de Sousas e que surpreendeu muitos na época,
pois o futebol era um esporte relativamente novo, e muitos
o viam como um esporte bárbaro, embora fosse disputado mais
pela elite. Mas um encontro entre os times nunca mais seria
um simples amistoso.
Desde então foram quase cem anos de história, de rivalidade
e momentos inesquecíveis, que não cabem aqui. Foram 171 jogos,
dos quais o Guarani venceu 60 e a Ponte Preta 54, além de
56 empates e um placar desconhecido, o jogo inaugural. O Guarani
marcou 232 gols contra 218 da Ponte Preta. Estão, portanto,
separados por meros 14 gols. As duas maiores goleadas do clássico
aconteceram nos anos de 1960 e 1955, respectivamente por 6
a 0 e 5 a 1, ambas vitórias do Guarani. Já as maiores goleadas
da Ponte Preta registraram o placar de 4 a 0, nos anos de
1943, 1952 e 1954. E o jogador Zuza, do Guarani, é o maior
artilheiro do dérbi, com 17 gols marcados.
No último encontro deu empate em 1 a 1. E amanhã? É dia
de dérbi?
Vitório Zago
Professor e Jornalista
05/01/02
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