Balaco Baco
Alto da Côrte
Fundo do Poço
Fora da Área
Vez do Torcedor
Campeonatos
Dra. Idê
Ilustre Convidado
Colunas
Dentro do Baú
Conte pra Gente
Quem Somos
Fim da Internet


  Vitório Zago
   Professor e Jornalista

 

Ilustre Convidado

Dérbi... o maior clássico do interior do Brasil

O "Dérbi Campineiro" é o maior clássico do interior do Brasil. A A.A. Ponte Preta e o Guarani F.C. estão entre os maiores times do país. Qualquer ranking que se faça do futebol brasileiro, considerando-se aí as competições nacionais e mesmo internacionais (já que o Guarani F.C. disputou a Taça Libertadores da América também, apesar da A.A. Ponte Preta não), as equipes campineiras aparecem facilmente entre os vinte ou trinta maiores clubes do Brasil.

Depende dos critérios estabelecidos para a construção do ranking. E nunca teremos um ranking totalmente "justo" ou perfeito.

O ranking do jornal diário impresso Lance!, por exemplo, leva em consideração o desempenho imediato (ou nem tanto) dos clubes, o que explica muitas vezes a posição desastrosa de um time tradicional, como o Guarani F.C.. Não leva em consideração o desempenho ao longo da história. Por isso, o A.D. São Caetano deverá ser o primeiro do ranking em breve, e com justiça diga-se de passagem.

Mas na história, certamente o time de São Caetano do Sul ficaria distante de muitas equipes tradicionais. Volta a estar na ponta se considerarmos uma média do seu desempenho, já que é um clube novo e com excelentes campanhas nesses poucos anos de vida. Mas, e daqui a 50 anos? O que será do A.D. São Caetano? Voltemos aos times de Campinas.

E se desconsiderarmos os "doze gigantes" do nosso futebol, os times campineiros acabam ocupando uma destacada posição entre provavelmente os quinze melhores times do país.

Quem são os doze? Simples: S.C. Corinthians Paulista, S.E. Palmeiras, São Paulo F.C. e Santos F.C. de São Paulo (e Santos); C.R. Flamengo, Fluminense F.C., Botafogo F.R. e C.R. Vasco da Gama, do Rio de Janeiro; C. Atlético Mineiro e Cruzeiro E.C., de Belo Horizonte; e S.C. Internacional e Grêmio F.P., de Porto Alegre.

Não há como negar, basta analisarmos suas respectivas histórias e patrimônios. Desses gigantes, costuma-se chamar apenas um dos clássicos de "dérbi", o confronto entre S.C. Corinthians P. X S.E. Palmeiras, que foi assim batizado pelo jornalista Thomaz Mazzoni do jornal diário A Gazeta, no final dos anos 20 e início dos anos 30.

E mesmo assim, "saiu de moda" se referir a esse tradicional clássico dessa forma, talvez porque existam na capital e em Santos outros dois times que dividem a "maior" rivalidade paulista. Assim, não é exagero dizer que o único clássico brasileiro chamado de "dérbi" efetivamente hoje é o encontro entre os times de Campinas. O "dérbi" até aparece esporadicamente para designar alguns embates locais. Mas "dérbi", sendo sempre assim chamado, só o de Campinas, o maior clássico do interior do Brasil. E passou a ser assim chamado logo no início dos anos 30, pelo jornal diário Correio Popular, logo após portanto do clássico paulistano.

A rivalidade de Ponte Preta e Guarani tem início logo na segunda década do século passado. A Ponte Preta, fundada em 11 de agosto de 1900, e o Guarani, fundado em 2 de abril de 1911, realizaram seu primeiro jogo no dia 24 de março de 1912, no antigo Campo da Vila Industrial. O resultado da partida é desconhecido, embora os pontepretanos afirmem, claro, que os alvinegros venceram a peleja por 1 a 0, gol de Lopes.

O quarto encontro entre os times não deixou a menor dúvida de que a rivalidade acabara de nascer, para nunca mais morrer. Foi no dia 23 de agosto de 1914, no Campo de Sousas. Era uma partida amistosa, que fora muito promovida e divulgada na época. O Guarani venceu o rival por 2 a 0. Mas o que mais chamou a atenção foi uma enorme briga de torcidas que tomou conta das ruas de Sousas e que surpreendeu muitos na época, pois o futebol era um esporte relativamente novo, e muitos o viam como um esporte bárbaro, embora fosse disputado mais pela elite. Mas um encontro entre os times nunca mais seria um simples amistoso.

Desde então foram quase cem anos de história, de rivalidade e momentos inesquecíveis, que não cabem aqui. Foram 171 jogos, dos quais o Guarani venceu 60 e a Ponte Preta 54, além de 56 empates e um placar desconhecido, o jogo inaugural. O Guarani marcou 232 gols contra 218 da Ponte Preta. Estão, portanto, separados por meros 14 gols. As duas maiores goleadas do clássico aconteceram nos anos de 1960 e 1955, respectivamente por 6 a 0 e 5 a 1, ambas vitórias do Guarani. Já as maiores goleadas da Ponte Preta registraram o placar de 4 a 0, nos anos de 1943, 1952 e 1954. E o jogador Zuza, do Guarani, é o maior artilheiro do dérbi, com 17 gols marcados.

No último encontro deu empate em 1 a 1. E amanhã? É dia de dérbi?

Vitório Zago
Professor e Jornalista
05/01/02

Envie pra um amigo...

Leia mais...

Índice

Próximo Artigo:  Túnico - Mangá: Arte com as mãos
Este Artigo:  Vito Zago - Dérbi... O maior clássico do interior do Brasil
Artigo Anterior:  Luiz Raimond - Fazendo a diferença

 
 
 
Copyright © 2001-2011 Camisa 12 - Todos os direitos reservados